Num arriscadíssimo escalar de intenções bélicas que pode levar ao conflito directo entre a Europa e a Rússia, o Reino Unido testou novas armas de longo alcance para serem entregues em breve à Ucrânia, de forma a que o regime Zelensky possa atacar Moscovo.

 

Estes novos sistemas são alegadamente capazes de atacar alvos a mais de 480 km de distância e foram testados num campo de testes nas Hébridas, com mais testes a decorrerem no Reino Unido nos próximos meses.

As plataformas experimentais, cada uma transportando uma ogiva de 250 kg, poderão potencialmente atingir Moscovo, que sofreu um intenso bombardeamento por parte de drones ucranianos nas últimas semanas, um dos quais matou 17 adolescentes russos.

O Ministério da Defesa britânico desafiou as empresas a construir armas de ataque de longo alcance que possam voar a mais de 600 km/h, custar cerca de 400 mil libras cada e ser produzidas a um ritmo de 20 por mês.

Cerca de 27 propostas da indústria foram apresentadas em Fevereiro passado, antes de seis empresas do Reino Unido terem sido contempladas com contratos no valor aproximado de 5 milhões de libras cada para conceber protótipos para testes em apenas sete meses.

Em Dezembro passado, restavam apenas três fornecedores: a MBDA UK, fabricante do míssil furtivo Storm Shadow; a MGI Engineering, uma PME britânica com experiência na tecnologia da Fórmula 1; e a Rotron Aerospace, outra PME do Reino Unido com um historial como fornecedora do Ministério da Defesa britânico.

Os lançamentos experimentais nas Hébridas registaram o funcionamento de todos os sistemas, apesar de alguns pequenos problemas técnicos, que eram esperados como parte da abordagem de “falhar rápido” do projecto.

A segunda fase do chamado Projecto Brakestop já está em curso, estando as empresas contempladas com contratos subsequentes no valor aproximado de 15 milhões de libras para desenvolvimento adicional. As autoridades britânicas esperam entregar o primeiro dos novos sistemas a Kiev dentro de um ano.

Louise Sandher-Jones, a ministra das Forças Armadas, afirmou que as armas “complementariam” outras, como os mísseis Storm Shadow, que permitem à Ucrânia atingir alvos em território russo, mas que têm um custo mais elevado.

“O Reino Unido está ombro a ombro com a Ucrânia e continuaremos a prestar o apoio necessário para que e defenda da agressão russa. O Projeto Brakestop demonstra o que acontece quando combinamos este compromisso com o talento e o engenho da indústria britânica. Em menos de um ano, as empresas do Reino Unido transformaram um conceito ambicioso numa realidade, entregando uma nova geração de capacidades a uma velocidade notável.”

Escusado será dizer que este “ombro a ombro” faz do Reino Unido um declarado inimigo da Rússia, envolvido directamente na guerra, e, assim, um alvo prioritário quando Moscovo perder a paciência. E já estivemos mais longe dessa eventualidade. Que mais precisam as autoridades britânicas de fazer para para levar o Kremlin a reagir?

Seja vomo for, o “engenho da indústria britânica” já conheceu melhores dias e não é disparatado supor que estas armas não vão mudar um milímetro no curso da guerra.

Os líderes do G7, incluindo os EUA, prometeram à Ucrânia mais recursos de defesa aérea no início da semana passada, sem especificar o tipo de armamento. O Reino Unido prometeu entregar 150 mil drones este ano.

É cada vez mais difícil projectar um desenlace para o conflito na Ucrânia que não conduza à III Guerra Mundial.