Keir Starmer vai deixar o cargo de Primeiro-Ministro e de líder do Partido Trabalhista, alegando uma revolta interna contra a sua liderança. O servo do sistema que se segue será muito provavelmente Andy Burnham, o sétimo palhaço no cargo desde 2016.

 

Keir Starmer anunciou a sua demissão do cargo de Primeiro-Ministro e líder do Partido Trabalhista britânico, afirmando que se manterá em funções até que seja escolhido um novo líder. A decisão acontece após pesadas derrotas eleitorais nas eleições locais do mês passado, registo sucessivo de índices de popularidade e aprovação historicamente baixos e o regresso do político trabalhista Andy Burnham, apontado por muitos no partido como um substituto mais viável para Starmer, à Câmara dos Comuns.

No anúncio da sua demissão, Starmer reflectiu sobre o seu miserável e luciferino mandato, referindo que herdou um Partido Trabalhista “politicamente, financeiramente e moralmente falido” do ex-líder Jeremy Corbyn (é preciso ter lata)., afirmando ter revitalizado o país ao abordar questões como o antissemitismo e restaurar a confiança em áreas-chave como a economia e a defesa (ao ponto que chega o seu delírio), embora o seu Secretário da Defesa e o Subsecretário de Estado das Forças Armadas se tenham demitido recentemente, alertando que o governo estava a deixar as forças militares perigosamente subfinanciadas.

Starmer reconheceu que o Partido Trabalhista duvida da sua capacidade de inverter as tandências eleitorais e aceitou a decisão de que é necessário um novo líder.

Mas se a estimada leitora, o prezado leitor, pensam que o afastamento daquele que pode seguramente ser considerado o pior primeiro-ministro britânico desde o pós-guerra é uma boa notícia, o Contra aconselha vivamente a ponderação, pelas razões que serão anotadas mais à frente neste texto.

 

Democracia trabalhista: Burnham sem oposição interna.

O ex-Ministro da Saúde e anteriormente apontado como possível candidato à liderança do Partido Trabalhista, Wes Streeting, declarou o seu apoio ao recém-eleito deputado por Makerfield, Andy Burnham, para a liderança do partido, praticamente garantindo que Burnham se tornará primeiro-ministro.

Streeting instou o seu partido a unir-se em vez de se concentrar nas divisões internas quando se demitiu do cargo de Ministro da Saúde, no meio de uma onda de demissões ministeriais e de pedidos de deputados do Partido Trabalhista para que Starmer se afastasse do poder executivo, no mês passado. Na sua carta de demissão, acusou Starmer de falta de visão após os resultados desastrosos para o Partido Trabalhista nas eleições locais de Maio, que viram o Reform UK de Nigel Farage obter ganhos históricos.

“Os resultados das eleições de Maio foram sem precedentes – tanto em termos da dimensão da derrota como das consequências deste fracasso. Pela primeira vez na história do nosso país, os nacionalistas estão no poder em todos os cantos do Reino Unido – incluindo um perigoso nacionalismo inglês representado por Nigel Farage e o Reform UK… Agora é claro que o senhor não vai liderar o Partido Trabalhista nas próximas eleições gerais e que os deputados trabalhistas e os sindicatos trabalhistas querem que o debate sobre o que se segue seja uma batalha de ideias, não de personalidades ou de facciosismo mesquinho. Precisa de ser amplo e precisa do melhor conjunto possível de candidatos.”

Diz isto um homem que acabou de abandonar a candidatura a primeiro-ministro, deixando Burnham sem necessidade de debater ideias seja com quem for.

Na segunda-feira, numa outra carta publicada no X, o ex-secretário da Saúde declarou:

“Tendo conversado longamente com Andy nos últimos dias, estou convencido de que há espaço para estas ideias sob a sua liderança; que está empenhado em construir um partido inclusivo que se baseie no melhor das nossas tradições políticas; e que pode vencer a luta das nossas vidas contra as forças do nacionalismo. Poderíamos passar o Verão a exagerar pequenas diferenças, ou podemos arregaçar as mangas e ajudá-lo a promover a mudança que o nosso partido e o nosso país precisam. Esta é a escolha que estou a fazer e espero que todos os outros também apoiem o Andy.” 

O que devemos ler aqui: Burnham ofereceu ao seu rival um cargo no próximo governo com um estatuto superior àquele que ocupava no executivo de Starmer: talvez Ministro dos Negócios Estrangeiros ou Chanceler do tesouro.

 

Andy Burnham ou mais do mesmo.

O próximo primeiro-ministro trabalhista é conhecido como ‘Rei do Norte’, mas para além do cognome pomposo que as bases do partido lhe atribuíram, o seu perfil político sugere imediatamente uma outra alcunha, mais adequada, como o “Califa de Manchester”, ou o “Imã do Norte”. Querido por todas as organizações islâmicas do Reino Unido e principalmente pelas mais radicais, Burnham chegou ao ponto de defender o abandono da estratégia Prevent, um programa anti-radicalização e pró-integração dos imigrantes islâmicos, considerando-o “tóxico” e discriminatório contra muçulmanos. Como Mayor de Greater Manchester, encobriu as actividades hediondas dos gangues de violadores paquistaneses que operaram impunemente na região, sendo claramente cúmplice desses crimes, e depois opôs-se à abertura de inquéritos regionais e nacionais sobre este vergonhoso flagelo.

É também um fervoroso adepto das fronteiras abertas e da imigração descontrolada, ou era, antes de começar a perceber que podia chegar a primeiro-ministro e que a opinião pública nativa poderia reagir mal a semelhantes pontos de vista, dadas as tensões sociais que se vivem actualmente no Reino Unido.

É verdade que Burnham vem de uma escola socialista que não se dá muito bem com os senhores do universo da City londrina e os mestres mariotenistas do WEF, que controlam já há décadas a agenda do nº 10 de Downing Street. Mas qualquer intenção dissidente do novo primeiro-ministro em relação às linhas fundamentais do regime Starmer, que servia integralmente os interesses globalistas, será rapidamente esmagado. Como tem acontecido desde Tony Blair, os futuros primeiros-ministros são submetidos a várias e prolongadas sessões de doutrinação pelos agentes dos poderes instituídos no Reino Unido e, como o caso paradigmático de Liz Truss ilustra na perfeição, a divergência programática não é permitida: ou os candidatos ao emprego mais cobiçado do reino seguem a agenda ou são privados do poder executivo.

Segundo a lei constitucional britânica, Burnham podia ser Primeiro-Ministro já amanhã. Mas para que haja tempo para a doutrinação e a coacção, será apenas em Julho que irá provavelmente assumir o cargo, deixando Starmer mais umas semanas no limbo.

Podemos assim apostar com confiança que o novo Primeiro-Ministro seguirá exactamente as mesmas políticas de Starmer, promotoras da guerra na Ucrânia, do capitalismo corporativo, da implementação de um sistema orwelliano de identificação digital, e da repressão policial e perseguição judiciária sobre a dissidência política. No que concerne às políticas de imigração, como já vimos, Burnham não precisa de ser convencido.

 

Maios que as mães, piores que os pais.

Na última década, o reino Unido conheceu seis inquilinos do T3 de Downing Street: Cameron, May, Jonhson, Truss, Sunak, Starmer. A qualidade política, a virtude moral e a competência técnica foram regredindo loucamente à medida que o poder executivo foi passando de mãos. E se Starmer poderá ser difícil de bater no campeonato da hipocrisia, da mediocridade e do autoritarismo, Andy Burnham terá que lhe dar luta, se quiser sobreviver no cargo.

Porque o último objectivo da agenda é a destruição da civilização britânica. E nesse aspecto, um será tão competente como foi o outro.