O Ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, está a apelar a ataques contínuos e intensos contra o Líbano, contrariando o memorando de acordo entre os EUA e o Irão, mostrando o dedo médio a Donald Trump e declarando que “mil mães libanesas devem chorar” por cada morte israelita:

 “Por cada lágrima de uma mãe israelita, mil mães libanesas devem chorar. Todo o Líbano deve arder!” 

Ben-Gvir emitiu a obscena declaração na sexta-feira, apelando aos militares israelitas para “enlouquecerem” no Líbano, infligindo danos massivos e desproporcionados no país e à sua população-

“Com todo o respeito pelos americanos, Israel deve deixar claro ao mundo inteiro que o sangue dos nossos filhos e a segurança dos nossos cidadãos não estão em causa. No Médio Oriente, não se ganha com respostas comedidas e contenção — é preciso enlouquecer. Para obliterar.”

O Hezbollah, um grupo apoiado pelo regime iraniano, opera no Líbano, apesar de estar teoricamente proibido pelo governo oficial do país. O Irão pressionou fortemente para que o Líbano fosse incluído nos acordos de cessar-fogo e nos acordos de paz com os EUA e foi bem sucedido nessa intenção, mas os israelitas têm-se mostrado relutantes em terminar as operações no seu vizinho do norte, tendo-se comprometido a tomar uma parte do sul do país logo após o início da guerra com o Irão.

A declaração de que “todo o Líbano deve arder” é especialmente iníqua quando consideramos que os militantes do Hezbollah no Líbano serão 40.000 a 50.000, menos de um 1% dos seis milhões de habitantes do país, que integra dois milhões de cristãos.

 


 

As declarações de Ben-Gvir são um desafio directo ao presidente Donald J. Trump, que na cimeira do G7 em França, na semana passada, manifestou desagrado com as tácticas “cruéis” de Israel no Líbano, afirmando:

“Muitas pessoas estão a ser mortas, e não é preciso demolir um prédio de apartamentos de cada vez que se procura alguém, porque há muita gente nesses prédios, e nem todos são do Hezbollah, disso tenho a certeza”,

O vice-presidente J.D. Vance também alertou elementos do governo do primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu, provavelmente incluindo Ben-Gvir, contra a sabotagem dos esforços de paz americanos no Médio Oriente, afirmando:

“Donald J. Trump é o único chefe de Estado em todo o mundo que simpatiza com a nação de Israel neste momento. Dois terços das armas defensivas que protegeram a vossa pátria foram construídas por mãos americanas e pagas com o dinheiro dos impostos americanos… acordem para a realidade da situação em que o país se encontra”.

O perfil infame do Ministro da Segurança de Israel é bem conhecido. Quando em Outubro de 2025, na sequência de um cessar-fogo arbitrado pela Casa Branca, o Hamas entregou os reféns israelitas que ainda detinha às autoridades sionistas, Itamar Ben-Gvir afirmou:

“Agora que recebemos os reféns, temos de voltar à guerra e abrir as portas do inferno sobre Gaza.”

Em Maio deste ano, Ben-Gvir reagiu com a característica pesporrência do aparelho sionista quando questionado sobre o potencial acordo de paz entre Washington e Teerão, deixando bem claro que Telavive, e não a Casa Branca, decidiria os próximos passos e declarando que nenhum acordo com o Irão avançaria a menos que Israel o aprovasse.

“Não permitiremos que isso aconteça (…) Um mau acordo para o Estado de Israel pode prejudicar vidas humanas”.

Não é por acaso que Israel é hoje o país mais odiado no mundo.

Durante este fim-de-semana e à revelia da Casa Branca, Israel continuou a bombardear barbaramente o Líbano, em acções que só podem ser interpretadas como destinadas a sabotar as conversações de paz que neste momento decorrem, de forma tensa e algo atribulada, entre americanos e iranianos, em Geneva.