Está em preparação no Congresso norte-americano, para ser provavelmente aprovado, um pacote legislativo bipartidário que procura integrar as estruturas de partilha de informações dos Estados Unidos e de Israel, gerando preocupações sobre a autonomia dos EUA, potenciais riscos de segurança e uma onda de justificadíssimas teorias da conspiração.

 

O Congresso está prestes a expandir significativamente a partilha de informações com Israel através de legislação que integra as redes de informações dos dois países. O projecto-lei “FY2027 Intelligence Authorization Act” (“Acto de Autorização de Informações para o Ano Fiscal de 2027”) inclui disposições para a partilha obrigatória de informações com Israel.

A legislação refere:

“A partilha de informações deverá incluir (…) ameaças à cibersegurança, terrorismo, evasão de sanções, planos e intenções de actores estatais e não estatais, proliferação de tecnologia adversária, ameaças de mísseis, sistemas aéreos não tripulados, mísseis de cruzeiro, mísseis balísticos, consciência situacional aérea e espacial e outras ameaças aéreas relevantes para a defesa de Israel, das forças e interesses dos Estados Unidos na região e dos parceiros regionais de segurança.”

Se for aprovado, o projecto-lei concederia aos funcionários do governo israelita, como ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, um acesso extremamente amplo aos serviços de informação dos EUA. A proposta é apoiada tanto por democratas como por republicanos, numa demonstração de que o unipartido sionista transcende qualquer tipo de divergência ideológica, nos Estados Unidos.

A legislação pode remodelar o panorama global da partilha de informações de inteligência, potencialmente marginalizando a aliança Five Eyes com os parceiros tradicionais de inteligência de língua inglesa dos Estados Unidos: Reino Unido, Austrália, Canadá e Nova Zelândia. A aprovação da lei tornaria os EUA e Israel, possivelmente, uma única nação do ponto de vista da inteligência, com os parceiros da Five Eyes provavelmente preocupados com o facto de qualquer informação partilhada com os EUA estar também disponível para Israel.

A iniciativa surge numa altura em que o Congresso prepara-se também para aprovar um outro projecto-lei que na prática funde as forças armadas norte-americanas e israelitas, sendo que os dois vectoires legislativos confirmam a intenção do Estado profundo de arrastar a América para uma situação de guarda-costas de Israel e de consequente conflito permanente no Médio-Oriente, confirmando as teorias da conspiração que há muito denunciam as elites em Washington como empenhadas nas “guerras eternas” e o estabelecimento norte-americano como completamente dominado pelos interesses de Telavive.

Ironicamente, o Pentágono subiu o risco de espionagem israelita ao seu nível mais elevado na semana passada. As preocupações internas centram-se numa série de incidentes de espionagem israelita contra os EUA, o que se tornará mais fácil no futuro se o país tiver um acesso amplo e não necessariamente recíproco à inteligência dos EUA, já que os serviços de inteligência de Telavive não são obrigados por qualquer facto legislativo a partilhar informações com o seu aliado.

O projecto-lei surge pouco depois ter sido massivamente noticiado pela propaganda do Regime Epstein que o presidente Donald J. Trump alegadamente criticou veementemente o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, num telefonema no início deste mês, afirmando, referindo-se aos ataques israelitas ao Líbano que violaram o cessar-fogo decretado pela Casa Branca e têm inviabilizado as negociações de paz com o Irão:

“Que merda é que pensas que estás a fazer? Estarias na prisão se não fosse por mim. Estou a salvar-te a pele. Toda a gente te odeia agora. Toda a gente odeia Israel por causa disto.”

É claro que é preciso ser muito, mas mesmo muito ingénuo para acreditar nisto. Trump tem servido a vontade de cinzas de Netanyahu como um criadito subserviente, desde que regressou à Casa Branca, e o governo israelita desautoriza o presidente americano dia sim, dia não e de acordo com os seus exclusivos objectivos bélicos, apesar de depender do poder militar e financeiro dos EUA como um proxeneta das suas prostitutas.