Missões coordenadas entre o Comando dos EUA para África (AFRICOM) e o exército nigeriano atacaram supostas forças do Estado Islâmico na África Ocidental, matando mais de 200 alegados jihadistas do Estado Islâmico, incluindo Abu-Bilal al-Minuki, um líder de alto nível do ISIS.

As operações fazem parte de uma crescente e heterodoxa “parceria de segurança” entre os EUA e a Nigéria, que se intensificou desde que o Donald Trump ordenou bombardeamentos aéreos contra militantes ligados ao ISIS, em Dezembro de 2025, citando ataques contra comunidades cristãs. Trump acusou repetidamente a Nigéria de não proteger os cristãos da violência islâmica, forçando as autoridades nigerianas a negar as alegações de genocídio cristão e a aumentar a cooperação com os EUA.

O magnata de Queens não se poupou à usual e sinistra fanfarronice, afirmando a este propósito:

“Abu-Bilal al-Minuki, segundo no comando do ISIS a nível global, pensava que se poderia esconder em África, mas mal sabia ele que tínhamos fontes que nos mantinham informados sobre o que estava a fazer. Não aterrorizará mais o povo de África nem ajudará a planear operações para atacar os americanos.” 

A propaganda da Casa Branca está a defender a operação porque, supostamente, a eliminação de Abu-Bilal al-Minuki e de outros militantes enfraquece significativamente as capacidades operacionais do Estado Islâmico na África Ocidental e reduz a sua capacidade de planear ataques a nível global.

Mas o que a máquina transformista do Regime Epstein não diz é isto: o ISIS só é um alvo a abater na Nigéria, porque no Médio Oriente é uma legítima ferramenta de combate, já que os serviços secretos americanos estão a planear a instrumentalização desta milícia sunita contra os xiitas iranianos, no caso, cada vez mais provável, de uma invasão terrestre do território persa.

E se a preocupação com as vidas dos cristãos fosse genuína, o regime sírio, de Bashar al-Assad, tolerante com a cristandade, nunca tinha sido deposto pelos EUA; Benajmin Netanyahu já tinha sido suicidado pela CIA; e Moscovo, em vez de Kiev, seria o aliado de eleição de Washington.

O homem que, quando pela segunda vez tomou posse como presidente dos Estados Unidos da América, se recusou a colocar a sua mão sobre a Bíblia, está agora a matar muçulmanos em nome da fé cristã.

Pois, pois.

Desde que Donald Trump voltou à Casa Branca, os EUA já bombardearam o Iémen, o Irão, o Iraque, a Somália, a Síria, a Nigéria e a Venezuela. Cuba virá a seguir. Nada mau, para o ‘Presidente da Paz’.