Novos ataques aéreos israelitas no Líbano provocaram a morte a pelo menos três pessoas, aumentando as tensões com o Irão, apesar das exigências da administração Trump para que Israel cesse os ataques no país vizinho.

 

Ataques aéreos israelitas atingiram a cidade de Tiro, no sul do Líbano, matando pelo menos três civis e desalojando os residentes. A agressão segue-se à recente escalada das tensões entre Israel e o Irão, que deriva mais das ambições expansionistas de Telavive do que dos aliados de Teerão que operam no Líbano, designadamente o Hezbollah.

Os ataques sionistas ocorreram poucos dias depois de o Irão e Israel terem trocado fogo no fim de semana e anunciado, na segunda-feira, que tinham interrompido os ataques após o apelo público do presidente Donald J. Trump para um fim imediato às hostilidades.

Os meios de comunicação social libaneses noticiaram vítimas em Tiro, enquanto as autoridades da defesa civil citaram um maior número de mortos, que não foi verificado de forma independente. Antes dos ataques, as Forças de Defesa de Israel (IDF) ordenaram aos residentes que evacuassem partes da cidade, alertando que a actividade do Hezbollah colocava em perigo os civis e afirmando que as suas operações eram uma resposta às violações do cessar-fogo e aos ataques contra as comunidades israelitas, afirmação que é objectivamente falsa, já que foi Telavive que violou primeiro o cessar-fogo ao bombardear o Líbano no fim de Maio, sem que o seu território tivesse sido atacado por Teerão ou pelo Hezbollah.

O regresso à violência acontece apesar dos esforços, genuínos ou falsificados, relatados por Trump para conter a acção militar israelita, incluindo uma conversa com o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, na qual o presidente pediu “bom senso” e manifestou confiança de que um grande acordo com Teerão é ainda possível, apesar dos responsáveis políticos iranianos se mostrarem cada vez menos disponíveis para cedências significativas.

Os ataques correm o risco de desestabilizar ainda mais a região, com o Irão a alertar para retaliações e a classificar as bases militares americanas e israelitas como “alvos legítimos”.

A deslocação de populações no Líbano está a ganhar já contornos de crise humanitária, aumentando as preocupações com uma possível vaga migratória para a Europa. Mais uma. Israel declarou a sua intenção de tomar uma parte do sul do Líbano como zona de segurança, partindo do princípio, assumido por vários líderes políticos, que os países europeus não terão remédio se não receber os refugiados que as acções militares sionistas estão a criar.

Os constantes ataques israelitas ao Líbano durante o frágil cessar-fogo no conflito do Golfo Pérsico confirmam, se mais provas materiais fossem necessárias, que o governo de Benjamin Natanyahu não tem qualquer consideração por aquilo que a Casa Branca determina, desautorizando as declarações e contrariando as intenções manifestadas publicamente por Donald Trump sempre que estas não convergem com os seus objectivos.

E a paz não faz parte dos objectivos sionistas, claramente.