Um patamar mais abaixo, na direcção do inferno: a polícia do Reino Unido tentou retratar Henry Nowak como o agressor no incidente em que foi assassinado, bem como interferir no julgamento do seu assassino, apesar já ter conhecimento claro e factual de que a vítima era completamente inocente.

 

A polícia britânica tentou interferir no julgamento do assassino Vickrum Digwade, pretendendo na altura divulgar um comunicado para abordar o que descreveu como “desinformação”, mas foi dissuadida pelos procuradores. A invulgar manobra da Polícia de Hampshire e da Ilha de Wight, noticiada pelo The Sunday Times, foi impedida quando o Ministério Público alertou a corporação de que a declaração poderia comprometer a “integridade” do caso.

Tanto mais que, quando as imagens vídeo da ocorrência foram finalmente reveladas, o mundo inteiro percebeu que a única fonte de desinformação era precisamente a polícia de Hampshire.

Anteriormente, a polícia quis também retratar a vítima como o agressor numa declaração que se preparava para divulgar três dias após a morte de Henry Nowak, fazendo referência a relatos de uma “agressão”. No entanto, a família enlutada de Nowak manifestou-se e a polícia mudou a redacção para “altercação”. Nesta altura, as autoridades já sabiam perfeitamente que tudo o que Digwa tinha dito sobre o incidente era um invenção para legitimar o seu acto bárbaro.

Vickrum Digwa foi condenado por homicídio a uma pena mínima de 21 anos de prisão na segunda-feira da semana passada.

O incidente ganhou repercussão mundial, lançando luz sobre o sistema político de dois critérios da Grã-Bretanha, que garante privilégios a pessoas não brancas e àqueles que alegam “racismo”, e provocando protestos que resultaram em dezenas de manifestantes encarcerados, outros espancados, bem como cerca de uma dezena de polícias com ferimentos ligeiros.

E quanto mais sabemos sobre o caso, pior fica no retrato o estabelecimento britânico, dos líderes políticos aos polícias de giro.