Cientistas chineses, apoiados pelo Estado, afirmam ter criado múltiplos vírus mutantes da gripe aviária H5N1 e infectado experimentalmente mamíferos para identificar combinações genéticas que aumentaram drasticamente a letalidade e melhoraram a compatibilidade do vírus com a estrutura celular humana, de acordo com um novo paper revisto por pares publicado na revista Emerging Microbes & Infections.

A revelação surge numa altura em que um estudo recente financiado pelo Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA (HHS) revelou que cientistas americanos também criaram em laboratório vírus da gripe aviária recombinantes (“Frankenstein”) totalmente novos, com um potencial melhorado de evasão imunitária em humanos.

As revelações consecutivas representam um esforço internacional acelerado por parte de cientistas apoiados pelos respectivos governos para criar e caracterizar estirpes da gripe aviária com maior adaptação aos mamíferos, evasão imunitária e potencial pandémico.

Isto quando o Congresso norte-americano, a Casa Branca, o Departamento de Energia do governo federal dos EUA, o FBI, a CIA e o Serviço Federal de Inteligência da Alemanha (BND) afirmaram já que a pandemia COVID-19 foi “provavelmente” o resultado de um incidente em laboratório envolvendo agentes patogénicos geneticamente modificados.

A criação de novos agentes patogénicos pandémicos levanta assim justificadas preocupações de segurança internacional e de consentimento informado.

O novo estudo chinês foi realizado no Instituto de Investigação Veterinária de Harbin (HVRI), parte da Academia Chinesa de Ciências Agrícolas (CAAS), utilizando laboratórios de alta contenção aprovados para o trabalho com vírus da gripe aviária altamente patogénicos.

Utilizando um sistema de genética reversa de oito plasmídeos, os investigadores geraram vírus H5N1 recombinantes e mutantes (“Frankenstein”) portadores de mutações específicas da polimerase associadas à adaptação a mamíferos.

Os vírus modificados foram então administrados por via intranasal em ratinhos para medir a disseminação celular, a eficiência de replicação e a letalidade. De acordo com o paper, uma estirpe replicou-se por todo o corpo dos ratos, espalhando-se pelos pulmões, conchas nasais, cérebro, baço e rins.

Os investigadores relataram que a estirpe altamente patogénica apresentava pelo menos “560.000 vezes” mais letalidade em comparação com um vírus H5N1 geneticamente semelhante.

O artigo identificou três mutações na proteína polimerase PB2 – 384L, 443R e 460M – que, em conjunto, aumentaram drasticamente a virulência em mamíferos.

Os autores referem que as mutações permitiram ao vírus explorar de forma mais eficiente as proteínas humanas ANP32A/B, consideradas críticas para a replicação da gripe em células humanas, de acordo com o modelo virológico convencional.

Ou seja, os investigadores afirmam ter identificado combinações mutacionais que ajudaram a gripe aviária a funcionar de forma mais eficaz dentro dos sistemas biológicos humanos.

Já no ano passado, cientistas chineses tinham clonado o vírus da gripe +H5N1 de forma a que fosse 13 vezes mais letal em mamíferos do que a estirpe original.

As experiências estão em linha com as definições de ganho de função, que envolvem maior letalidade do patogéneo, adaptação a mamíferos e replicação viral em sistemas celulares humanos.

A questão central é esta: com que fim são realizadas esta experiências, sabendo o que sabemos sobre as circunstâncias que resultaram na eclosão da pandemia COVID-19?

Chegámos até ao ponto esquizofrénico em que uma equipa de cientistas do Instituto de Virologia de Wuhan, responsável pela disseminação do vírus SARS-CoV-2 em 2020, clonou, modificou e testou, em 2025, um gene da varíola dos macacos que silencia discretamente a resposta imunológica do organismo humano.

Mais: como o Contracultura documentou em 2023, um estudo da Fundação McCullough indicou que o surto de gripe aviária registado por essa altura em explorações agrícolas isoladas em toda a América do Norte foi provavelmente causado por uma fuga do Laboratório de Avicultura dos EUA, na Georgia.