O podcast do Expresso é mau e inaceitável por várias razões graves. É simplesmente inacreditável! O Expresso considerou apropriado produzir e promover, no Dia Mundial da Criança, um episódio do podcast “O Prazer é Todo Meu” com dois menores de 13 e 15 anos, conduzido pela sexóloga Mafalda Cruz. Os adolescentes foram convidados a falar abertamente sobre sexualidade, pornografia, consentimento, masturbação e o impacto das redes sociais nas relações. Será suposto que um rapaz de 13 anos tenha o discernimento, a maturidade emocional e a capacidade psicológica para discorrer publicamente sobre sexo, pornografia e, ainda por cima, sobre “dar consentimento”? Esta pergunta revela, por si só, a gravidade do problema. Diante disto, há uma questão que não pode ficar por fazer: o que leva os pais a permitirem que os seus filhos tenham estas conversas com estranhos (independentemente da profissão) publicamente, em idades tão precoces? Será que acreditam mesmo que os seus filhos devem ser instruídos por estranhos no que à sua sexualidade diz respeito? Com isto, não defendo que o sexo seja um tabu, mas sim que pertence à intimidade de cada um e que deve permanecer aí, no seio da família — a qual, à partida, quer o melhor para os seus filhos e os instruirá de acordo com os seus valores e os seus princípios, e não de acordo com a cultura imposta pelos súbditos da bandeira do arco-íris.
O podcast do Expresso é nefasto porque envolve menores (um rapaz de 13 anos e outro de 15) a discursar publicamente sobre temas tão íntimos e complexos, transformando a sexualidade numa conversa mediática para consumo geral. É censurável porque instrumentaliza jovens como porta-vozes de uma agenda ideológica sobre sexualidade, num contexto que configura exploração mediática e não jornalismo responsável. É falível porque a sua premissa central (“os pais que proíbem a masturbação deviam pensar que eles próprios já foram jovens…”) carece de fundamento bíblico, científico e moral. É incoerente porque surge numa publicação que se posiciona à Direita (ou no centro-direita), traindo os valores conservadores. É questionável porque a publicação beneficia de subsídios e publicidade estatal (o grupo Impresa já recebeu milhões de euros em apoios públicos). E é nocivo, sobretudo, porque promove uma ideologia totalitária de hipersexualização precoce, destituindo a autoridade dos pais, normalizando o vício e impondo o pragmatismo do “o prazer é todo meu” como única moral — uma deriva que denuncio de seguida com base nas Escrituras e na realidade factual.
1. Sexualização precoce e abuso psicológico: o roubo da inocência.
Crianças de 13 anos deveriam focar-se na escola, no desporto, nas amizades e nos jogos — e não dar entrevistas sobre pornografia e consentimento num podcast de difusão nacional. As conversas sobre sexualidade devem ser privadas, graduais e conduzidas pelos pais, nunca expostas na praça pública. Este conteúdo contribui activamente para a hipersexualização precoce, dizimando a inocência e pavimentando o caminho para comportamentos de risco. A Bíblia ordena a protecção dos mais novos: “Quem escandalizar um destes pequeninos… melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma pedra de moinho” (Mateus 18:6). Isto não representa progresso — é uma linha vermelha que foi ultrapassada.
2. Estímulo à masturbação, dependência da pornografia e destruição.
Incentivar a precoce “descoberta do corpo” abre a porta ao vício na pornografia. Estudos demonstram que o primeiro contacto com conteúdos pornográficos ocorre, em média, entre os 12 e os 13 anos, acarretando consequências severas: alterações cerebrais semelhantes às causadas pela toxicodependência, objectificação da mulher, disfunções sexuais na vida real, ansiedade, depressão e um risco substancialmente maior de comportamentos abusivos.
3. Saúde física: a explosão de IST por promiscuidade precoce.
A normalização precoce do sexo induz a condutas de risco. Na Europa, em 2024, os dados apontam para cenários alarmantes:
- Gonorreia: mais de 106 mil casos (um aumento de 303% desde 2015);
- Sífilis: mais de 45 mil casos (o número mais do que duplicou);
- Clamídia: mais de 213 mil casos.
Em Portugal, as taxas de sífilis figuram entre as mais altas do continente europeu. A cultura do prazer efémero e sem compromisso multiplica as infecções, a infertilidade e o sofrimento.
4. Abortos em escalada: uma tragédia previsível.
Em 2024, Portugal registou cerca de 18 mil abortos a pedido, fixando o valor mais alto da última década. A dissociação entre o acto sexual e o compromisso afectivo gera gravidezes não planeadas e o derramamento de sangue inocente que Deus condena expressamente (Provérbios 6:16-17; Salmo 139:13-16).
5. Família, divórcio e pobreza: o preço pago pela sociedade.
O divórcio e a fragmentação familiar geram empobrecimento. Em Portugal, a taxa de pobreza infantil ronda os 17% a 20% (afectando cerca de 300 mil crianças), sendo significativamente mais elevada nas famílias monoparentais (cerca de 35%). Os lares estáveis e intactos asseguram melhores resultados económicos, educativos e emocionais. A aliança matrimonial bíblica protege o indivíduo; a ideologia do egoísmo gera ciclos de miséria.
Apelo aos pais.
Pais, protegei os vossos filhos (Deuteronómio 6:6-9; Efésios 6:4). Não adopteis a sabedoria deste mundo (Romanos 12:2). Ensinai-lhes a pureza, o temor do Senhor e a mortificação do pecado (Colossenses 3:5). A verdadeira liberdade encontra-se em Cristo, e não no hedonismo do “o prazer é todo meu”.
Estendo também este veemente apelo a todos os pais que, embora não sendo cristãos confessos, partilham e defendem a matriz de valores, os princípios e a moral cristã que fundaram a nossa civilização. Dirijo-me aos pais que prezam o bom senso, a decência e o respeito pela infância. Não abdiqueis do vosso papel soberano na educação dos vossos filhos. Não permitais que o Estado, as agendas ideológicas ou os media substituam a vossa autoridade moral. A protecção da inocência das crianças não é uma questão meramente religiosa; é um dever humano, cívico e moral de quem deseja preservar a sanidade da próxima geração.
“Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Romanos 6:23). Que as famílias portuguesas rejeitem esta agenda e regressem à Palavra de Deus — o único alicerce para uma sociedade justa, moral e próspera.
MARIA HELENA COSTA
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Maria Helena Costa nasceu em Aveiro, em 1965. É cristã, conservadora, casada, mãe de três filhos e avó de duas netas. Preside à Associação Família Conservadora e é deputada municipal. Realiza regularmente palestras sobre os impactos das correntes ideológicas contemporâneas na infância. É autora de várias obras publicadas, entre as quais: #éhoradospais – Uma defesa do superior interesse das crianças (2020), Feminismo Tóxico (2022), Ideologia de Género – Crónicas publicadas no Observador (2023), Identidade de Género – Ideologia ou Ciência? (2025) e Genocídio Silencioso (2026)
As opiniões da autora não reflectem necessariamente a posição do ContraCultura.
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