No podcast que publicou quarta-feira à noite, Tucker Carlson profere um monólogo de 30 minutos que vale a pena dissecar.
Tucker começa focado no assassinato de Henry Nowak – que é o escândalo que está a marcar a agenda destes dias -, um jovem estudante britânico de 18 anos que foi esfaqueado cinco vezes por Vickrum Digwa (um homem sikh de 23 anos) enquanto voltava para casa após uma saída à noite, concluindo, assertivamente, que o estabelecimento no Reino Unido considera a alegação de um crime de racismo mais grave do que o crime de homicídio, a tal ponto que os polícias, uma vez (des)informados por Digwa e pela sua família de que Nowak seria racista, nem se deram ao trabalho de avaliar os seus ferimentos. Pelo contrário: partiram do princípio que não os tinha ou que não eram graves e prosseguiram algemando e maltratando a vítima, contribuindo inequivocamente para a sua morte.
Tucker enquadra o tenebroso episódio como um símbolo perfeito do colapso moral da sociedade ocidental pós-cristã. A “nova religião” secular, que integra a diversidade, a equidade, a inclusão e um medo obsessivo do racismo no seu evangelho, substituiu os valores cristãos tradicionais, como a verdade, a compaixão e a sacralidade da vida humana
Como resultado, a polícia e as instituições judiciais já não conseguem distinguir claramente entre vítima e agressor, quando entra em jogo a narrativa identitária. A verdade factual torna-se secundária face à narrativa regimental, de tal forma que vivemos agora numa sociedade que, abandonando por completo o cristianismo, adoptou um sistema niilista e materialista que gera injustiça, insegurança, desagregação social e decadência.
O cristianismo fornecia um quadro ético coeso que unia as sociedades, promovendo estabilidade familiar, moralidade pessoal e um senso de propósito transcendente. Em seu lugar, surgiu um sistema baseado nos dogmas da ciência, no culto da tecnologia e no capitalismo corporativo, que prometia progresso ilimitado mas entregou atomização, decadência cultural, empobrecimento das massas e vazio espiritual. O jornalista norte-americano cita o declínio da natalidade, o aumento de suicídios, a adição a drogas de toda a ordem (legais e ilegais) e a desordem social como evidências de que esse substituto falhou. As pessoas não encontram mais significado em “diversidade”, “inclusão” ou crescimento económico perpétuo quando estão a ser destituídas, estupidificadas, fascizadas e privadas de vida espiritual.
No centro da análise está a ideia de que testemunhamos nesta terceira década do Século XXI o fim de uma era. O sistema pós-cristão, gerou elites alienadas que desprezam as tradições e o povo comum, que promovem políticas destruidoras da família, das igrejas e das comunidades locais, enquanto enriquecem corporações globais e sistemas burocráticos. Tucker destaca como o materialismo extremo leva a uma sociedade onde tudo é transacionável – inclusivamente valores morais – resultando em cinismo generalizado e perda de coesão social. Sem a base cristã, as sociedades ocidentais colapsam na infernal dialéctica de hedonismo e autoritarismo.
Carlson faz depois a conexão com o assassinato de Charlie Kirk, enquadrando o evento como um ponto de inflexão simbólico e, também, literal. Kirk, fundador do Turning Point USA, representava uma forma enérgica e jovem de activismo conservador enraizado em valores cristãos e patriotismo. O seu assassinato transcende o âmbito criminal, sendo um sinal da violência crescente que emerge quando o consenso moral cristão se dissolve. Tucker lamenta como alguns líderes “cristãos” ou conservadores justificam ou minimizam a violência quando serve as suas agendas políticas, comportamento que interpreta, e bem, como uma traição profunda dos ensinamentos de Cristo.
Pastores e figuras evangélicas nos EUA que trocaram o Evangelho por lealdade a nações, partidos ou instituições laicas, especialmente no contexto dos conflitos no Médio Oriente, são duramente criticadas pelo pundit norte-americano. Tucker insiste que Deus não está “do lado” de nenhum país, de nenhuma política terrena, e que usar a fé para justificar mortes de inocentes é horrível e anti-cristão. A morte de Kirk serve como alerta: a sociedade está radicalizada, e sem retorno à humildade cristã, a violência e o caos só terão tendência a aumentar.
Carlson conclui o monólogo com um tom de urgência e esperança moderada, observando sinais de ressurgimento cristão, especialmente entre jovens que procuram significado para além do materialismo. A Igreja tradicional, com a sua ênfase na ordem, na família e na transcendência, pode oferecer uma âncora enquanto o sistema secular desmorona. No entanto, esse colapso, que será inevitável, pode ser doloroso se não for acompanhado por um processo de renovação espiritual genuína. O foco deve voltar para o indivíduo, a família e as comunidades locaisl, não para políticos que prometem a salvação disto ou daquilo, ou ideologias utópicas.
Depois de fechar este segmento, Tucker entrevista Frank Wright, um eloquente e original conservador britânico cristão, tornado subitamente famoso por uma breve mas inspirada análise ao estado decadente e totalitário a que chegou a Grã-Bretanha, proferida quando foi por acaso entrevistado na rua por um youtuber, e que proporciona uma conversa deveras interessante, cujo consumo o Contra outrossim recomenda.
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