Há casos dramáticos que funcionam como um abrir da cortina sobre o espectáculo de corrupção e vilania dos regimes ocidentais e daqueles que os sustentam. O assassinato de Henry Nowak – e da circustância profundamente distópica que rodeia a ocorrência – é um exemplo paradigmático desse momento de vislumbre, que não é nada agradável à sensibilidade.

 

Keir Starmer considera protestos de Henry Nowak “irresponsáveis” e ameaça com repressão policial.

Keir Starmer discursou no parlamento na quarta-feira sobre a ocorrência e as ondas de choque que tem causado, atacando os manifestantes que protestaram em frente à Esquadra Central de Polícia de Southampton e perto da residência da família Digwa na terça-feira, e alertando que qualquer pessoa envolvida em distúrbios enfrentará “toda a força” do Estado.  O primeiro-ministro britânico adoptou assim a abordagem draconiana que implementou em resposta aos protestos contra os assassinatos em Southport, com pessoas a serem encarceradas por coisas tão simples como publicar memes nas redes sociais, e reforçando o conceito de Estado policial de duplo critério de que é convicto ideólogo.

A dada altura do seu infame discurso, afirmou:

“Este é um momento para trabalho sério, não para raiva. E quero deixar claro: vamos garantir que qualquer pessoa envolvida em distúrbios seja punida com todo o rigor da lei, como já fizemos antes.” 

Já antes, perdendo de todo a vergonha na cara, o homem que se ajoelhou aquando da morte de George Floyd, capitalizando politicamente um incidente semelhante ocorrido em 2020, nos EUA (embora, ao contrário de Nowak, a vítima fosse um drogado com cadastro de etnia negra), tinha publicado no X esta mensagem que só pode ser qualificada como nojenta:

“A família de Henry Nowak perdeu o filho e o irmão em circunstâncias terríveis. Nigel Farage está a explorar esta tragédia para criar ressentimento e divisão. É completamente imperdoável.

 

 

Starmer, ele sim um ser humano sem redenção possível, também negou as acusações de Farage sobre um “policiamento de dois critérios” na Grã-Bretanha, mas foi forçado a reconhecer a existência de um ‘Compromisso Policial Antirracismo’ que afirma explicitamente que diferentes etnias devem ser tratadas de forma diferente para produzir

“igualdade nos resultados do policiamento para pessoas de diferentes grupos étnicos, já que ‘equidade racial’ não significa tratar todos ‘da mesma forma’ ou ser ‘daltónico para a cor da pele’”.

Mais a mais, as orientações disponíveis no site da Polícia de Hampshire e da Ilha de Wight, responsável pela detenção injusta de Nowak, citam o “tratamento diferenciado das pessoas” com base na etnia.

Acresce que um estudo da Universidade de Reading, encomendado pela própria polícia local, constatou ainda que um em cada sete polícias inquiridos se sentiu “controlado e pressionado” a adoptar opiniões específicas após um curso obrigatório sobre diversidade, e um em cinco relatou temer ser “rejeitado por dizer algo errado”.

 

Farage responde “para americano ver”.

Nigel Farage apareceu ontem na Fox News para criticar o primeiro-ministro por negar a existência de um preconceito anti-branco de duplo critério no policiamento britânico, afirmando:

“Starmer é um advogado de direitos humanos de esquerda que acredita na discriminação positiva, que acredita na DEI (Diversidade, Equidade e Inclusão) e que aceitou que a polícia no meu país trate agora as pessoas brancas de forma diferente das pessoas negras. Acredito que este é um caminho para a ruína.” 

Referindo-se aos protestos contra o assassinato e a detenção injusta de Henry Nowak em Southampton, Farage alertou para a possibilidade de eclodirem mais distúrbios, caso o comportamento das autoridades policiais não seja alterado:.

“A razão pela qual a polícia se comporta desta forma é que agora são treinados para isso pelos chefes… No relatório sobre questões raciais em Hampshire e na Ilha de Wight, são instruídos para policiar diferentes comunidades étnicas de diferentes formas. Significando, literalmente, que as pessoas brancas não têm os mesmos direitos perante a lei que as pessoas asiáticas ou negras.”

 

 

Farage sabia o que estava a fazer, porque o Departamento de Estado norte-americano publicou umas horas depois um comunicado no X em que reconheceu a existência de um sistema policial de dois critérios na Grã-Bretanha, afirmando que tais práticas são um sinal de “declínio civilizacional”. No comunicado podemos ler:

“O condicionamento ideológico e o policiamento de dois critérios são sintomas gritantes de declínio civilizacional. Devem ser rejeitados em todo o Ocidente. Os Estados Unidos enviam as suas condolências à família de Henry Nowak e ao povo do Reino Unido neste momento difícil.”

 

 

A polícia responde com violência e inimputabilidade.

No entretanto, a polícia tem respondido como seria de esperar: exercendo brutalidade sobre quem protesta contra a clara injustiça e sem assumir responsabilidades pela morte de Nowak.

Nestas imagens nota-se perfeitamente que o corpo de intervenção está com uma atitude que não tem nunca, quando as turbas são de outra cor (étnica, identitária ou política). Se fosse esta a eficácia e a brutalidade com que a polícia inglesa trata, por exemplo, os gangues de violadores paquistaneses que operam no país, se calhar agora a revolta destes manifestantes não era tão intensa.

 

 

E naquele que deve ter sido o inquérito mais rápido da história da burocracia britânica, o órgão de fiscalização policial apressou-se a anunciar que não há provas de que os agentes que algemaram Henry Nowak enquanto este agonizava tenham cometido qualquer acto que traduza ‘má conduta’.

É assim de supor que só se tivessem dado uns quantos pontapés na boca ao desgraçado enquanto sangrava até à morte no chão é que talvez fosse possível discernir algum comportamento condenável por parte dos agentes.

 

 

Parece porém que uma investigação forense irá ainda apurar se as acções da polícia contribuíram para a morte de Henry Nowak. O Médico legista Jason Pegg afirmou a este propósito:

“A questão central neste caso será provavelmente se algum acto ou omissão por parte de um agente da polícia, ou qualquer atraso no tratamento recebido por Henry Nowak, causou ou contribuiu para a sua morte. Um inquérito permitirá esta análise minuciosa, sendo uma audiência pública sobre as circunstâncias gerais que levaram à morte de Henry. A realização de um inquérito permitirá que a família de Henry participe efectivamente no processo.”  

 

A imprensa responde como é costume: encobrindo a realidade e invertendo os papéis.

Depois de vários dias a esconder o crime, a imprensa corporativa resolveu cumprir o seu papel de organismo propagandístico do Estado e está a fazer das vítimas carrascos e vice-versa.

 

 

Paul Joseph Watson comenta, como só ele sabe, o comportamento aberrante dos media, e de outros agentes da opinião pública britânica, no contexto do caso Nowak.