Um ex-funcionário da Google, perito em tecnologias de inteligência artificial, acaba de revelar como é que as tecnologias de inteligência artificial estão a ser utilizadas nos bastidores de Silicon Valley. E não tem nada que ver com chatbots, como era expectável.

Mo Gawdat foi um executivo sénior da Google durante mais de uma década. Acompanhou o desenvolvimento da IA ​​​​por dentro. Esteve nos laboratórios, nas salas de decisão, em reuniões governamentais por todo o mundo.

E acaba de participar no “Diário de um CEO”, podcast onde disse coisas que nenhum executivo de tecnologia em actividade teria alguma vez permissão para dizer publicamente: que a Inteligência Artificial Geral já chegou, que 30% dos empregos desaparecerão até 2027 e que o factor mais perigoso na IA não é a tecnologia em si, mas as pessoas que a controlam e os segredos que guardam, até porque

“o que o público em geral vê sobre a IA é sobrevalorizado, mas ineficaz. O que os verdadeiros especialistas vêem dentro do laboratório é algo genuinamente transformador.”

O público recebe chatbots e vídeos gerados por IA, enquanto os laboratórios estão a construir sistemas de armas autónomas, tecnologia militar, infraestruturas de vigilância em tempo real e código que se reescreve a cada microssegundo sem supervisão humana:

“Enquanto conversamos, estamos a viver duas grandes guerras onde a IA é responsável pela maior parte das mortes.”

Gawdat mencionou também as declarações do CEO da Palantir, Alex Karp, já documentadas pelo Contra, em que celebra abertamente o facto da sua tecnologia rastrear, identificar e eliminar pessoas. Referiu a próxima geração de armas autónomas, que custam apenas 20 mil dólares por unidade, o que significa que qualquer governo com um orçamento de defesa relativamente modesto pode literalmente lançar drones em todos os cantos do planeta.

Comentando o caso em que a Anthropic recusou uma oferta de contrato militar de 500 milhões de dólares para permitir que a sua IA fosse utilizada para rastreio e vigilância de humanos, que foi de seguida avidamente aceite pela OpenAI, o ex-funcionário da Google afirmou:

“É preciso começar a observar quem está realmente a comportar-se de uma forma que faça a IA funcionar para a humanidade e quem se está a comportar de uma forma que faça a IA funcionar para o valor das suas acções.”

Não é no entanto claro que a Anthropic, mesmo recusando contratos do Pentágono, esteja “a comportar-se de uma forma que faça a IA funcionar para a humanidade”, mas adiante.

No documentário realizado por Gawdat, Chasing Utopia, Altman diz literalmente perante as câmaras:

“Suspeito que a IA provavelmente acabará com a humanidade, mas vamos criar muitas empresas interessantes neste processo”.

Este é o CEO da empresa de IA mais poderosa do planeta a dizer que suspeita que a sua própria tecnologia vai acabar com a raça humana, e depois encolhe os ombros porque a oportunidade de negócio é demasiado boa para ser desperdiçada.

A previsão de Mo Gawdat para a próxima década é assustadora: Guerra, colapso económico, desemprego em massa, expansão da vigilância e uma concentração absoluta de poder nas elites, diferente de tudo na história moderna.

A sua previsão alternativa, mais optimista é que, se a humanidade sobreviver aos próximos 10 anos, a IA acabará por criar um mundo de abundância que resolverá todos os problemas que enfrentamos actualmente.

Mas confessa que o primeiro cenário, mais credível, o aterroriza. E os homens que estão a construir a tecnologia sabem exactamente o que estão a fazer.