As agências de espionagem ocidentais pretendem utilizar militantes radicais sírios como força por procuração contra o Irão, segundo afirmou o chefe do Serviço Federal de Segurança russo, Aleksandr Bortnikov.
Os jihadistas, que lutaram pelo Estado Islâmico (EI, anteriormente ISIS) e outros grupos terroristas, estão a ser transferidos dos seus centros de detenção na Síria para campos especiais no Iraque com a intenção de serem treinados e utilizados numa possível operação militar terrestre no Irão, disse Bortnikov durante uma reunião dos chefes de segurança da Comunidade dos Estados Independentes (CEI) na região de Irkutsk, Rússia, na semana passada.
Bortnikov enfatizou a ligação das agências de inteligência ocidentais na génese do grupo terrorista, como suporte desta decisão eticamente problemática (é dizer pouco):
“A história do Estado Islâmico começou com complexos prisionais iraquianos semelhantes, sob a protecção das agências de informação da coligação ocidental. Sem dúvida, a escalada do conflito iraniano e o envolvimento de um número crescente de partes ameaçam desestabilizar todo o mundo islâmico”.
A CEI foi criada em 1991, após a dissolução da União Soviética, para promover a cooperação económica, política e de segurança entre os seus membros. Actualmente, é constituída por nove nações: Arménia, Azerbaijão, Bielorrússia, Cazaquistão, Quirguistão, Rússia, Tajiquistão, Moldávia e Uzbequistão.
As acções das agências de espionagem ocidentais representam também um perigo para os membros desta organização, uma vez que os militantes libertados “incluem indivíduos de países da CEI que lutaram no Estado Islâmico e noutros grupos terroristas e que, posteriormente, foram parar às prisões sírias”, segundo alertou Bortnikov, que acrescentou que estas forças podem ser utilizados não só no Médio Oriente, mas também nos seus países de origem.
A utilização de militantes do Estado Islâmico no quadro bélico do golfo Pérsico tiraria partido de velhos feudos religiosos entre sunitas (ISIS) e xiitas (iranianos).
Russian intelligence chief warns west may use ISIS proxies against Iran
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Russian Federal Security Service (FSB) chief Aleksandr Bortnikov warned on 26 May that western intelligence agencies are allegedly transferring former ISIS militants and members of other armed groups from… pic.twitter.com/IqavivPAoi— The Cradle (@TheCradleMedia) May 27, 2026
Estão neste momento suspensas as negociações indirectas entre os EUA e o Irão, estabelecidas no início de Abril, após um mês de intensas hostilidades iniciadas por norte-americanos e israelitas. Teerão decidiu abandonar o diálogo em resposta aos constantes bombardeamentos e ataques terrestres que as forças israelitas têm desenvolvido no Líbano.
O presidente do Parlamento iraniano e principal negociador nas conversações de paz com a Casa Branca, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou a que Teerão considera a dissuasão militar essencial para qualquer processo de negociação com Washington, rejeitando a dependência de “garantias e palavras” dos EUA.
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