Teerão fechou a porta do processo negocial na cara de Trump e vai voltar a bloquear o Estreito de Ormuz, em resposta aos constantes bombardeamentos e ataques terrestres que as forças israelitas têm desenvolvido no Líbano.
A agência de notícias Tasnim, uma organização de comunicação social estatal iraniana associada à Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), anunciou na segunda-feira que Teerão fechou as negociações com os Estados Unidos e que além de “um bloqueio completo do Estreito de Ormuz”, um ponto de estrangulamento crítico para os envios globais de petróleo e fertilizantes, planeia também “a activação de outras frentes, incluindo o Estreito de Bab el-Mandeb”.
Segundo a agência Tasnim, “não haverá diálogo até que Israel se retire do Líbano e cesse os ataques.”
A decisão surge na sequência da intensificação das acções militares israelitas no Líbano contra o Hezbollah, a milícia apoiada pelo Irão. Teerão exige que Israel se retire do território que ocupa no Líbano desde o início da guerra, no final de Fevereiro, e cesse os ataques neste país do Levante e em Gaza.
A ameaça de bloqueio do Estreito de Ormuz já provocou um aumento de mais de 5% nos preços do petróleo. Embora o Irão controle facilmente Ormuz, o Estreito de Bab el-Mandeb — por onde os navios têm de passar para chegar ao Mar Vermelho e ao Canal do Suez, que dá acesso ao Mediterrâneo — está significativamente mais distante, embora os houthis, aliados do Irão no Iémen, possam perturbar significativamente o tráfego marítimo neste estreito, e a capacidade balística de Teerão possa também perturbá-lo de forma dramática.
O anúncio foi feito ontem, 1 de Junho de 2026, no contexto de um renovar das tensões militares em curso no Médio Oriente. O Pentágono violou também o cessar-fogo, ao atacar posições iranianas no Estteito de Ormuz, e o Irão respondeu bombardeando a base americana no Golfo que lançou esses ataques.
O endurecimento da posição de Teerão era já nítido quando no fim da semana passada o presidente do Parlamento iraniano e principal negociador nas conversações de paz com a Casa Branca, Mohammad Bagher Ghalibaf, sugeriu que Teerão considera a dissuasão militar essencial para qualquer negociação com Washington, rejeitando as “garantias” teóricas dos EUA e afirmando:
“Não obtemos concessões através do diálogo, mas sim através de mísseis.”
Para se perceber a grotesca humilhação a que o regime Netanyhau está a submeter Donald Trump, horas antes do anúncio iraniano que cessava as negociações de paz, o presidente americano tinha publicado no Truth Social a seguinte mensagem:
“O Irão quer realmente fechar um acordo, e será um bom acordo para os EUA e para aqueles que estão connosco. (…) Apenas relaxem, tudo vai correr bem no final – corre sempre!”
Às vezes, o homem até dá pena. Não é mais que um tagarela boneco de trapos, manipulado brutalmente pelos sionistas.
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