Uma engenhoca da Blue Origin, empresa de Jeff Bezos, explodiu numa espectacular bola de fogo durante a madrugada de sexta-feira, causando grandes danos na plataforma de lançamento e acordando para a realidade os delirantes planos da NASA de uma base lunar a curto prazo.
O foguetão New Glenn, da Blue Origin, explodiu durante um teste de ignição, com o charuto estático e em terra, na Estação da Força Espacial do Cabo Canaveral, na noite de quinta-feira, causando grandes danos na plataforma de lançamento e afectando o calendário da NASA, já de si completamente irrealista, para a implementação de uma base na Lua em 2035. A causa da explosão é ainda desconhecida. Mas como espectáculo de fogo de artificío, foi brutal, convenhamos:
Here’s our video of the explosion at Launch Complex 36. It happened about 9 pm ET (0100 UTC) as Blue Origin was beginning a static fire test of its New Glenn rocket.
Watch live views: https://t.co/tm2wZQmAVD pic.twitter.com/PmbgQC6Qmq
— Spaceflight Now (@SpaceflightNow) May 29, 2026
A explosão não faz qualquer ferido, graças a Deus. Mas o complexo de lançamento, concluído em 2021, custou mais de mil milhões de dólares. Será Bezzos a pagar a factura? Tudo o que disse a este propósito foi a usual salada de palavras:
“Um dia muito difícil, mas vamos reconstruir o que for necessário e voltar a voar. Vale a pena.”
Considerando o perfil razoavelmente patético das missões da companhia espacial de Bezos, e este fabulástico fiasco, se calhar, não. Se calhar, não vale mesmo a pena.
Concebido para transportar 48 satélites em órbita baixa da Terra para a Amazon Leo, o New Glenn fazia parte do programa Artemis III da NASA, como futuro transportador de astronautas para a Lua. É mais que óbvio que tal programa sempre foi não mais que um panfleto propagandístico, sendo o desastre da semana passada a prova gritante disso mesmo.
Jared Isaacman, o actual director da NASA, comentou o desastre:
“Os voos espaciais são implacáveis e desenvolver uma nova capacidade de lançamento de carga pesada é extraordinariamente difícil. A NASA trabalhará com os nossos parceiros para apoiar uma investigação completa desta anomalia, avaliar os impactos nas missões a curto prazo e voltar a lançar foguetões. As informações sobre quaisquer impactos nos programas Artemis e Base Lunar serão divulgadas assim que estiverem disponíveis”.
Se “desenvolver uma nova capacidade de lançamento de carga pesada” é assim tão difícil, se calhar o melhor é confiar a tarefa a outro bilionário, um que saiba mais de engenharia de foguetões que o homem que fez fortuna a levar encomendas a casa das pessoas.
Ou melhor ainda: pegar no dinheiro inúmero que a NASA custa aos contribuintes norte-americanos, contratar os melhore engenheiros do mundo, e voltar a fazer o que a agência espacial americana já fez um dia – construir máquinas razaoavelmente capazes de chegar ao espaço – em vez de contratar aprendizes de feiticeiro para fazer o trabalho que lhe é confiado. Tanto mais que, como o ContraCultura já documentou, a ideia de que a NASA ganhou eficiência e economia ao entregar a construção das suas naves à indústria privada é falaciosa. Mas também a verdade é que a agência espacial americana é hoje uma organização política, mais do que científica.
E os resultados estão à vista, para quem tiver olhos para ver.
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