A Ferrari decidiu seguir o exemplo suicida da Jaguar, e construiu um eléctrico gay, desenhado por um odiado designer da Apple, que é tudo menos um Ferrari.
O lançamento do Luce, o primeiro veículo 100% eléctrico da marca italiana, tornou-se um dos episódios mais polémicos da história recente da Ferrari. O modelo de quatro portas e cinco lugares, que vai cair no mercado ao módico preço de cerca de 550 mil euros, foi recebido com uma onda de críticas ferozes por parte de fãs, investidores e até figuras públicas.
🚨 | BREAKING!
Ferrari has just revealed its first fully electric car, the Luce. pic.twitter.com/TFDIdUjYv7
— La Gazzetta Ferrari (@GazzettaFerrari) May 25, 2026
Em vez de celebração, o evento gerou desilusão e milhares de memes que rapidamente se tornaram virais, como aquele que dá entrada a este texto (que é delicioso, principalmente para quem, como nós, trabalha com um rato Apple wireless que foi tão bem pensado e desenhado que tem que ficar inactivo, de pernas para o ar, enquanto é carregado).
O principal alvo das críticas é o design. Desenvolvido com forte influência do estúdio LoveFrom, do designer Jony Ive (universalmente odiado por criar soluções disfuncionais para os produtos Apple), o Luce apresenta linhas incaracterísticas e pós-modernas, que em nada respeitam o legado grandioso da marca italiana, conhecida pelos seus perfis agressivos e presença imponente.
Nas redes sociais, o carro foi comparado a um “rato da Apple sobre rodas”, a uma “barra de sabão” ou até a um “Nissan Leaf de luxo”. Muitos consideram que o modelo perdeu completamente a alma da marca.
As reações não se limitaram ao público. Luca di Montezemolo, que foi presidente da Ferrari durante 23 anos, foi corrosivo, afirmando com visível irritação:
“Se dissesse o que realmente penso, prejudicaria a Ferrari. Corremos o risco de destruir um mito, e lamento muito isso. Espero que pelo menos retirem o Cavallino Rampante deste carro.”
🚨 | Luca Cordero di Montezemolo on the new Ferrari Luce:
“If I said what I really think, I’d harm Ferrari. We’re risking the destruction of a myth, I’m very sorry about that. I hope they at least remove the Prancing Horse from that car” pic.twitter.com/CdqD5mGFuN
— La Gazzetta Ferrari (@GazzettaFerrari) May 26, 2026
O ministro dos Transportes italiano e líder do partido populista Lega, Matteo Salvini, questionou no X o que Enzo Ferrari pensaria do modelo, comentando:
“Eléctrico, caríssimo (550 mil euros!) e, do ponto de vista estético, fala por si… Não se parece nada com um carro do Cavallino Rampante. E isto é considerado ‘inovação’? Que diria Enzo Ferrari…”
Elettrica, costosissima (550 mila euro!) e, dal punto di vista estetico, si commenta da sola… Sembra tutto fuorché un’auto del Cavallino. E questa sarebbe “innovazione”? Chissà Enzo Ferrari cosa direbbe… pic.twitter.com/zITSlz1a9j
— Matteo Salvini (@matteosalvinimi) May 26, 2026
Entretanto, a cotação das acções da Ferrari caiu cerca de 8% nos dias seguintes ao lançamento, reflectindo a preocupação dos investidores com este crime contra o bom senso e o bom gosto.
Only gonna get worse. pic.twitter.com/Wi9XNtX1Wd
— Tybernicus (@Tybernicus17) May 26, 2026
Sendo certo que o Luce é uma abominação estética, para muitos o problema vai para além da vertente visual. A Ferrari sempre representou emoção, risco, adrenalina e… grandiosidade orquestral de motores V12. Um carro eléctrico, por mais potente que seja (parece que esta coisa vai ter mais de 1000 cavalos), é visto, e bem, como uma traição à herança da marca.
Na verdade, este é apenas mais um exemplo, se bem que excruciante, do processo de destruição do legado civilizacional do Ocidente a que as elites se estão a dedicar, com voraz volição. E não há ícones, monumentos, glórias e mitos que sejam poupados a essa febre de cinzas, como o caso da Odisseia de Christopher Nolan ilustra muito bem.
O Contra aconselha porém a visita às caixas de comentários dos posts que anunciam o lançamento desta abominação, como por exemplo este aqui, que estão carregadinhos de memes hilariantes e cáusticos. Nem que seja para se perceber que o senso das massas ainda não está completamente perdido…
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