A Ferrari decidiu seguir o exemplo suicida da Jaguar, e construiu um eléctrico gay, desenhado por um odiado designer da Apple, que é tudo menos um Ferrari.

 

O lançamento do Luce, o primeiro veículo 100% eléctrico da marca italiana, tornou-se um dos episódios mais polémicos da história recente da Ferrari. O modelo de quatro portas e cinco lugares, que vai cair no mercado ao módico preço de cerca de 550 mil euros, foi recebido com uma onda de críticas ferozes por parte de fãs, investidores e até figuras públicas.

 


Em vez de celebração, o evento gerou desilusão e milhares de memes que rapidamente se tornaram virais, como aquele que dá entrada a este texto (que é delicioso, principalmente para quem, como nós, trabalha com um rato Apple wireless que foi tão bem pensado e desenhado que tem que ficar inactivo, de pernas para o ar, enquanto é carregado).

O principal alvo das críticas é o design. Desenvolvido com forte influência do estúdio LoveFrom, do designer Jony Ive (universalmente odiado por criar soluções disfuncionais para os produtos Apple), o Luce apresenta linhas incaracterísticas e pós-modernas, que em nada respeitam o legado grandioso da marca italiana, conhecida pelos seus perfis agressivos e presença imponente.

Nas redes sociais, o carro foi comparado a um “rato da Apple sobre rodas”, a uma “barra de sabão” ou até a um “Nissan Leaf de luxo”. Muitos consideram que o modelo perdeu completamente a alma da marca.

As reações não se limitaram ao público. Luca di Montezemolo, que foi presidente da Ferrari durante 23 anos, foi corrosivo, afirmando com visível irritação:

“Se dissesse o que realmente penso, prejudicaria a Ferrari. Corremos o risco de destruir um mito, e lamento muito isso. Espero que pelo menos retirem o Cavallino Rampante deste carro.”

 

 

O ministro dos Transportes italiano e líder do partido populista Lega, Matteo Salvini, questionou no X o que Enzo Ferrari pensaria do modelo, comentando:

“Eléctrico, caríssimo (550 mil euros!) e, do ponto de vista estético, fala por si… Não se parece nada com um carro do Cavallino Rampante. E isto é considerado ‘inovação’? Que diria Enzo Ferrari…”

 

 

Entretanto, a cotação das acções da Ferrari caiu cerca de 8% nos dias seguintes ao lançamento, reflectindo a preocupação dos investidores com este crime contra o bom senso e o bom gosto.

 

 

Sendo certo que o Luce é uma abominação estética, para muitos o problema vai para além da vertente visual. A Ferrari sempre representou emoção, risco, adrenalina e… grandiosidade orquestral de motores V12. Um carro eléctrico, por mais potente que seja (parece que esta coisa vai ter mais de 1000 cavalos), é visto, e bem, como uma traição à herança da marca.

Na verdade, este é apenas mais um exemplo, se bem que excruciante, do processo de destruição do legado civilizacional do Ocidente a que as elites se estão a dedicar, com voraz volição. E não há ícones, monumentos, glórias e mitos que sejam poupados a essa febre de cinzas, como o caso da Odisseia de Christopher Nolan ilustra muito bem.

O Contra aconselha porém a visita às caixas de comentários dos posts que anunciam o lançamento desta abominação, como por exemplo este aqui, que estão carregadinhos de memes hilariantes e cáusticos. Nem que seja para se perceber que o senso das massas ainda não está completamente perdido…