Coming Up – Suede

1996. Ano de “Coming Up”, um dos mais explosivos discos de rock alternativo alguma vez editados. Digo eu.
Os Suede são aquele género de agrupamento circense que uns amam loucamente e outros odeiam com paixão. À primeira audição parecem uma lamentável versão de Bowie enquanto Ziggy, se Ziggy fosse um astronauta perdido em Manchester, na última década do século XX. Mas depois do primeiro susto revivalista, percebemos outras coisas. Percebemos o choque eléctrico e visceral, percebemos a vitalidade e o poder criativo, percebemos que “Coming Up” é uma sucessão de actos de fé, rituais devotos dedicados ao deus do rock and roll, sacrifícios desesperados no altar da juventude perdida.
Ouvimos este disco (nós, os fãs) e não sabemos bem se devemos dançar pela chuva, fornicar até ao fim da capacidade atlética, conquistar as muralhas de Troia ou muito simplesmente: chorar por mais.
Gosto tanto desta banda (já fui à Zambujeira e vim na mesma noite só para os ver ao vivo), gosto tanto de Brett Anderson, gosto tanto deste disco, que todas as palavras do meu escasso léxico perdem a sua dimensão semântica. Por isso, façam um favor a este triste rapsodo em falência técnica e oiçam, o mais alto que for possível, o eufórico “Filmstar”. É uma festa de manifesto.

 

Different Class – Pulp

Pulp. O projecto de Jarvis Cocker, que esperneou bravamente entre 1983 e 2001, é a definição de banda de culto. E uma referência do pop alternativo. Também aqui, patinei que me fartei para eleger um disco, porque há 3 álbuns dos Pulp que adoro, mas decidi eleger “Different Class”, de 1995, a sua quinta subida no elevador da glória. Canções como “Underware”, “Disco 2000” ou “Common People” não acontecem todos os dias e a veia de Jarvis atinge aqui um apogeu maluco de super-poderes e crescendos épicos, de intensidade inesquecível e inebriante.
Na história acústica da minha vida, os Pulp ficaram e vão ficar como uma máquina feroz de espanto e transcendência. Uma força positiva no sistema lírico do mundo.

 

The Bends – Radiohead

Muito provavelmente a banda de rock com maior competência criativa da década de 90, os Radiohead são um fenómeno de ordem mística. Thom Yorke vai estar a fazer qualquer coisa de novo quando tiver 80 anos, porque não é nitidamente um homem que goste de se repetir e não é fácil encontrar uma agremiação musical que arrisque mais. Acho eu. Não que o álbum que elegi, o grandioso “The Bends”, seja especialmente arriscado. Mas é, ainda assim, especialmente uma obra prima.
Eu perdi os Radiohead algures depois de “Hail to the Thief”, porque não sou um fã maluco de música erudita, que é o que eles fazem actualmente e já há uns tempos. Mas não tenho dúvida nenhuma que a banda foi, é e continuará a ser por mais umas épocas um fenómeno artístico ímpar, incontrolável e triunfante.

 

A Maximum High – Shed Seven

1996. Shed Seven, a operática banda de York, edita o seu segundo trabalho de estúdio: “A Maximum High”, que é factualmente uma pedra máxima no panorama apoteótico da britpop desse momento histórico. Não faltam grandes discos a essa apoteose; já inclui uns, já exclui outros, mas estes rapazes ficam. A sofisticação melódica, a energia incomensurável e a pretensão circense, que resulta encantadora, fazem dos Shed Seven um incontornável monumento-rock. E deste disco, uma ode de fim de século.
Are you going for gold? Bum.