Um importante estudo francês revelou que um em cada três franceses é imigrante ou descendente de imigrantes e que os não europeus não se assimilam tão bem como os imigrantes europeus.
Um estudo do Instituto Nacional de Estudos Demográficos de França (INED) constatou que um terço da população francesa tem uma ligação directa com a imigração, quer como imigrantes, quer como descendentes recentes de imigrantes. O inquérito, baseado em entrevistas a 27 mil pessoas, oferece um retrato detalhado da composição demográfica de França, um país onde, muito convenientemente, as estatísticas raciais e étnicas não são oficialmente registadas.
O estudo revelou que 13% da população francesa nasceu no estrangeiro, 11% são filhos de imigrantes e 10% são netos de imigrantes. O estudo referiu que a imigração para França é agora predominantemente não europeia, com 32% dos imigrantes com idades compreendidas entre os 18 e os 59 anos originários do Norte de África, 20% da África Subsariana, 16% da Ásia e 28% de outros países europeus.
De acordo com as conclusões do inquérito, os descendentes de imigrantes europeus têm maior probabilidade de se assimilar à sociedade francesa, enquanto muitas pessoas de origem não europeia mantêm identidades étnicas ou religiosas mais fortes ao longo das gerações, facto que desafia o modelo tradicional francês de assimilação e aponta, em vez disso, para o surgimento de identidades “híbridas” e “racializadas”.
As conclusões surgem entre debates mais amplos em França sobre imigração, integração e identidade nacional, uma vez que apenas os descendentes de imigrantes europeus tendem a seguir os padrões tradicionais de assimilação, com algumas sondagens a mostrarem um apoio crescente entre os muçulmanos franceses mais jovens à lei religiosa em detrimento dos valores republicanos seculares.
Pesquisas anteriores mostraram que os muçulmanos destas faixas etárias são mais propensos a apoiar a lei da Sharia em vez da lei francesa, com um apoio significativo a grupos islâmicos radicais entre os 18 e os 25 anos. Esta tendência foi descrita como superior às “estimativas mais pessimistas” sobre a integração.
Para ajudar à constante agitação social que se vive no país, figuras políticas de extrema-esquerda, incluindo o candidato presidencial Jean-Luc Mélenchon, têm defendido a transição para uma “Nova França” multicultural, enquanto os críticos alertam que as mudanças demográficas estão a criar tensões profundas, polarização e o desmoronar da coesão social.
A “multiculturalidade” de Mélenchon tem porém pouco de progressista. Ao invés, a França está a caminhar a passos largos para uma sociedade tribal, e, como é historicamente mais que demonstrável, as sociedades tribais são incapazes de constituir nações porque não partilham valores fundamentais sob os quais se possam levantar super-estruturas que permitam o progresso material e o consenso imaterial. Foi aliás e precisamente para acabar com a multipolaridade da lógica tribal na Europa, durante milénios perdida na barbárie de pequenas localidades isoladas, que perpetuamente se combatiam entre si por territórios, acesso a recursos, convicções religiosas e feudos ancestrais, que se fundaram cidades-estado, países e impérios.
Ou seja: civilização.
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