Persistindo no seu percurso errático, Donald Trump anunciou progressos nas negociações com o Irão, para logo depois interromper o cessar-fogo que ele próprio decretou e bombardear alvos das forças militares islâmicas.
Preços do petróleo caem, com a perspectiva de paz no Golfo.
Os preços do crude caíram mais de 4% no domingo, depois de o presidente Donald Trump ter indicado que as negociações com o Irão para a reabertura do Estreito de Ormuz estavam a avançar. Os contratos de futuros do West Texas Intermediate (WTI) caíram quase 5% para 91,40 dólares por barril, enquanto os contratos de futuros do Brent caíram para 98,20 dólares por barril.
O Presidente Trump anunciou nas redes sociais que as discussões com o Irão estão a progredir “de forma ordenada e construtiva” e realçou que não há pressa para finalizar um acordo (mas só depois de Teerão afirmar que o processo de paz seria longo). As negociações visam resolver o bloqueio de facto do Irão ao Estreito de Ormuz, que interrompeu severamente o fornecimento global de petróleo desde Março.
Não deixa de ser surpreendente que os mercados ainda reajam à retórica de Donald Trump, considerando que de cada vez que abre a boca o infeliz e tresloucado presidente norte-americano diz coisas completamente diferentes e, regra geral, falaciosas, tanto mais que nem detém neste momento uma posição de força para comandar as negociações com as autoridades iranianas.
A possível resolução do bloqueio de Ormuz poderá estabilizar os mercados petrolíferos globais e aliviar as preocupações com o abastecimento, mas as negociações anteriores com o Irão apresentaram súbitas reviravoltas e escaladas. Não é líquido de todo que a actual circunstância corra de forma diferente.
Neoconservadores como Lindsey Graham e Ted Cruz, e o primiero-ministro Netanyahu, não perderam tempo a atacar Trump por, aparentemente, querer fechar um acordo com o Irão, embora a maior parte da base MAGA pareça mais do que disposta a terminar o conflito rapidamente.
Preços do petróleo sobem, depois do Pentágono violar o cessar-fogo, alegando “legítima-defesa”.
Logo depois de Donald Trump prometer um caminho para a paz, que fez cair os preços do crude nos mercados internacionais, as forças armadas dos EUA lançaram ataques contra alvos iranianos perto do Estreito de Ormuz, violando flagrantemente o cessar-fogo temporário e… fazendo subir os preços do crude.
O Pentágono alegou “legítima defesa” como justificação para atacar locais de lançamento de mísseis e embarcações iranianas perto de Bandar Abbas, junto ao Estreito de Ormuz. O que não deixa de ser estranho já que o mesmo Pentágono, tanto como a Casa Branca, não se cansaram de afirmar nas últimas semanas que a marinha iraniana já não existia e que o Irão já não representava uma ameaça militar para as forças americanas.
O Capitão-de-mar-e-guerra Tim Hawkins, do Comando Central dos EUA, afirmou a este propósito:
“O Comando Central dos EUA continua a defender as nossas forças, agindo com moderação durante o cessar-fogo em curso.”
Os ataques ocorreram em Bandar Abbas, uma cidade no sul do Irão, perto do Estreito de Ormuz, que tem sido um ponto focal das tensões regionais.
A ocorrência realça não só o total descrédito das afirmações de Donald Trump, como as fragilidades das forças norte-americanas no Golfo, a precaridade do cessar-fogo, a continuação das tensões entre os EUA e o Irão, bem como o potencial para uma escalada ainda maior na região.
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