Em retaliação face ao bombardeamento de um dormitório universitário em Starobilsk, que matou 18 estudantes, a Rússia utilizou mísseis hipersónicos Oreshnik naquele que está a ser classificado como o maior ataque balístico na região de Kiev desde o início da guerra, que fez pelo menos quatro mortos.
O Oreshnik, que pode transportar múltiplas ogivas convencionais ou nucleares, é um míssil de alcance intermédio cuja velocidade (mais de 10 Mach) e trajectória impossibilitam a detecção e intercepção por parte dos sistemas de defesa aérea disponíveis na Ucrânia (ou em qualquer outro lugar no mundo, na verdade). Esta foi apenas a terceira vez que a Rússia utilizou o míssil. O potencial de destruição dos Oreshnik é de tal forma alto que não precisam sequer de transportar explosivos nas ogivas – o impacto cinético é por si só devastador. Mas não é ainda claro se Moscovo lançou os mísseis com ogivas inertes ou convencionais, embora o ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Andrii Sybiha, tenha afirmado que pelo menos um míssil transportava uma ogiva inerte.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que um dos misseis caiu perto da cidade de Bila Tserkva, no centro da Ucrânia, acrescentando:
“Estão completamente fora de si. É vital que a Rússia não fique impune. Infelizmente, nem todos os mísseis balísticos foram abatidos. Kiev foi a cidade mais atingida, e o principal alvo deste ataque russo.”
Olvidando o ataque ucraniano que deu origem à retaliação russa, Kaja Kallas, a insuportável chefe da diplomacia da União Europeia, afirmou:
“O uso de mísseis balísticos de alcance intermédio Oreshnik por Moscovo – sistemas concebidos para transportar ogivas nucleares – é uma táctica política de intimidação e uma imprudência que coloca a Rússia em risco nuclear.”
Não por acaso, passa-se exactamente o contrário do que diz a infeliz. As políticas europeias em relação à guerra na Ucrânia é que estão a colocar a Europa “em risco nuclear”.
Os suspeitos do costume também não perderam a oportunidade para intensificar a retórica belicista dirigida a Moscovo. O presidente francês, Emmanuel Macron, condenou o ataque russo, afirmando que o uso do Oreshnik representa uma “escalada” na “guerra de agressão da Rússia”, numa publicação no X.
O chanceler alemão, Friedrich Merz, disse que a utilização do Oreshnik pela Rússia foi uma “escalada imprudente” e reiterou o compromisso da Alemanha de “apoiar firmemente a Ucrânia”.
Mas, aparentemente e segundo o raciocínio dos líderes europeus, fazer explodir dormitórios de estudantes não é uma “escalada imprudente.”
Ao todo, a Rússia lançou 600 drones e 90 mísseis contra a Ucrânia durante a noite, segundo a Força Aérea Ucraniana, que informou que as defesas aéreas abateram 604 destas armas.
O ataque nocturno à capital ocorreu depois de o presidente russo, Vladimir Putin, ter ordenado retaliação por um ataque ucraniano mortal numa cidade da Ucrânia ocupada pela Rússia. Putin acusou a Ucrânia de um acto “terrorista”, alegando que drones ucranianos atingiram um dormitório universitário em Starobilsk, no leste de Luhansk, na sexta-feira.
A agência de notícias estatal russa TASS noticiou no sábado que o número de mortos, incluindo “crianças mortas no ataque com drone ucraniano”, subiu para 18, citando o Ministério das Situações de Emergência russo. Acredita-se que outras três pessoas ainda estejam presas sob os escombros.
O Ministério da Defesa russo afirmou no domingo que a utilização do míssil Oreshnik e de outros mísseis balísticos foi “em resposta aos ataques terroristas da Ucrânia contra alvos civis em território russo”.
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