Uma nova proposta do chanceler Friedrich Merz visa integrar na União Europeia, gradualmente e como membro “associado”, uma ditadura feroz e um dos países mais corruptos do mundo.
Numa carta aos líderes da União Europeia (UE), Merz propôs conceder à Ucrânia o estatuto de membro associado da UE. Como membro associado, o país não teria direito de voto na Comissão Europeia, no Conselho Europeu e no Parlamento Europeu, mas teria acesso a programas financiados pela UE com o objectivo de se tornar membro de pleno direito ao longo do tempo.
Mais importante ainda, o estatuto de membro associado proporcionaria ao país uma garantia de defesa. De acordo com o artigo 42.7 do Tratado da UE, os Estados-membros devem vir em defesa de outros membros quando estes são atacados, de forma semelhante ao artigo 5.º da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO).
Na sua missiva endereçada à Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e ao Presidente do Conselho Europeu, António Costa., Merz afirma:
““É óbvio que não conseguiremos concluir o processo de adesão em breve, dados os inúmeros obstáculos, bem como as complexidades políticas dos processos de ratificação… O que eu prevejo é uma solução política que aproxime substancialmente a Ucrânia da União Europeia e das suas principais instituições de imediato. Isto é essencial não só para a segurança da Ucrânia, mas para a segurança de todo o continente.”
Como sempre, o linguarejar das elites europeias inverte a realidade e o que Merz afirma é o contrário da realidade: quanto maior o envolvimento da Europa com a Ucrânia, menos seguros ficam os europeus e mais provável será um conflito directo com a Rússia, que é aliás o objectivo último de Merz.
Se for adoptada, esta proposta poderá acelerar a integração da Ucrânia na UE. No entanto, o processo de adesão à UE é longo e está repleto de questões políticas, económicas, jurídicas e técnicas significativas. É muito provável que a corrupção generalizada e enraizada na Ucrânia se revele um obstáculo ao processo. Contudo, a adesão como membro associado representaria um passo importante para o reconhecimento da ambição do presidente do país, Volodymyr Zelensky, que há muito defende um processo de adesão acelerado.
Entretanto, no final de Abril, Zelensky impulsionou legislação para alargar a lei marcial na Ucrânia. A contínua suspensão das eleições após o termo do seu mandato, as restrições aos meios de comunicação social e a proibição dos partidos da oposição geraram controvérsia internacional.
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