A decisão do primeiro-ministro britânico de nomear Harriet Harman, ligada a um polémico grupo de defesa da pedofilia, como conselheira para assuntos de mulheres e raparigas, veio minar ainda mais (se possível) a sua credibilidade.

 

Keir Starmer nomeou Harriet Harman, ex-vice-líder do Partido Trabalhista e actual membro da Câmara dos Lordes, como conselheira para “mulheres e raparigas” no início deste mês, apesar da sua anterior associação com a Paedophile Information Exchange (PIE), que defendia a descriminalização do sexo com crianças, através da sua actuação no Conselho Nacional para as Liberdades Civis (NCCL).

Harman, enquanto desempenhava as funções de assessora jurídica da NCCL em 1978, escreveu um artigo que argumentava de forma controversa contra leis mais rigorosas sobre pornografia infantil, sugerindo que o dano causado pela exploração sexual infantil era especulativo, a menos que se pudesse provar que a vítima tinha sofrido com isso. A PIE esteve formalmente afiliada na NCCL durante o seu mandato, e o ex-presidente da PIE, Tom O’Carroll, afirmou em 2014 que ela e outras figuras do Partido Trabalhista na NCCL “nem sequer tentaram” romper essa ligação.

A organização Christian Concern, comentou nestes termos as ligações de Harman à PIE em 2014:

“Em 1978, Harriet Harman era uma advogada recém-formada e tornou-se assessora jurídica da NCCL. Escreveu a resposta oficial da organização ao Projecto-Lei de Protecção à Criança do Parlamento, que procurava proibir a pornografia infantil. Na sua carta, alegava que tal lei ‘aumentaria a censura’ e argumentava que uma imagem pornográfica de uma criança nua não deveria ser considerada indecente, a menos que se pudesse provar que a criança tinha sofrido por causa disso.”  

A nomeação de Harman irá provavelmente alimentar ainda mais as críticas ao discernimento político e à tomada de decisões de Starmer, particularmente à luz do seu historial de promoção de políticos trabalhistas com ligações à pedofilia. O seu governo foi particularmente prejudicado pela polémica decisão de nomear o veterano trabalhista Peter Mandelson, um conhecido associado de Jeffrey Epstein, como embaixador nos EUA, vendo-se obrigado a demitir-lo  passados poucos meses, quando a divulgação dos ficheiros Epstein revelou que a sua ligação com o pedófilo era ainda mais profunda do que tinha sido anteriormente noticiado. Mandelson foi até detido pela polícia em Fevereiro deste ano, no âmbito de uma investigação sobre alegado tráfico de influências e partilha de documentos e informações confidenciais entre o diplomata e o seu amigo americano.

Como o Contra noticiou na semana passada, uma comissão parlamentar acusou o governo britânico de censurar e reter documentos cruciais relacionados com a polémica nomeação de Lord Peter Mandelson, amigo intimo de Jeffrey Epstein, como embaixador nos EUA.