Mesmo antes do primeiro bocejo,
vem do inferno o João Pestana para me dar um beijo.

Traz no hálito o ópio da noite, esse leito em que me deito,
esse infinito em que acredito.

E como quem parte rumo ao esquecimento,
durmo o abandono.

Não dou sinais de vida nem arrais ao pensamento;
apenas ressono.

Mergulho numa tranquila inconsciência sem retorno,
um transe profundo e quieto, um delírio de silêncios completo:

Morpheu é meu senhor e dono
e eu sou enfim um monstro em coma

no sarcófago do sono.