Em 2010, o Gabinete de Estatísticas de Berlim-Brandemburgo informou que cerca de 420.000 muçulmanos viviam na cidade, o que equivaleria a 11% da população. Isto foi antes da vaga migratória de 2015 e dos anos subsequentes de migração massiva.
Agora, com mais de 2.000 muçulmanos a morrer em cada ano na capital alemã e o Islão a exigir que sejam enterrados o mais rapidamente possível, a cidade está a ter dificuldades em satisfazer a procura. Até porque os cemitérios muçulmanos têm vários requisitos específicos.
De acordo com a religião islâmica, os túmulos devem estar orientados para Meca, a cremação é proibida e o corpo deve ser enterrado sem caixão e o mais rapidamente possível.
Um funcionário de uma agência funerária comentou a situação:
“É um grande desafio para nós, claro, disponibilizar os espaços necessários, que nem sempre estão disponíveis”.
Existem também restrições de tempo por parte dos cemitérios, o que cria problemas acrescidos.
Em 2024, uma notícia do jornal Migazin abordou as mesmas preocupações, afirmando que apenas alguns dos mais de 200 cemitérios da cidade tinham jazigos designados para muçulmanos.
Até 2023 aproximadamente 9.000 muçulmanos tinham sido sepultados no Cemitério de Gatow; no entanto, devido à falta de espaço, o cemitério enfrenta agora frequentes faltas de vagas. O artigo destacou ainda problemas decorrentes das exigências rigorosas dos funerais islâmicos, que muitas vezes requerem o enterro em terra fresca (sem caixão), agravando os problemas de espaço nos cemitérios existentes.
Devido à escassez contínua, os familiares são por vezes transferidos para cemitérios fora de Berlim ou para os seus países de origem, uma situação que não agrada de todo a muitos muçulmanos, porque as sepulturas ficam longe e porque os corpos não são assim imediatamente enterrados.
Mas, a prazo, os muçulmanos não têm com que se preocupar. Até 2070, aproximadamente 80% dos nascimentos na Alemanha serão de mães não alemãs, sendo a maioria muçulmanas. Os cemitérios, por essa altura, estarão já melhor preparados para funerais islâmicos do que para funerais cristãos.
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