“Parem de contratar humanos.” Estas palavras estão agora estampadas em outdoors de São Francisco a Nova Iorque, cortesia de uma startup californiana que promove a substituição de comerciais humanos por unidades de inteligência artificial.

A empresa, Artisan, comercializa agentes de IA que lidam com tarefas de prospecção comercial, como a geração de novos clientes, o envio de e-mails e a criação de primeiros contactos. A sua mensagem é directa: a era dos colaboradores de IA chegou e os humanos não são mais necessários.

 

 

A campanha da Artisan destaca uma tendência crescente de substituição da funcionalidade humana pelo artefacto algorítmico nas vendas e em muitas outras áreas profissionais. A startup afirma que as suas ferramentas podem eliminar até 600.000 empregos nos Estados Unidos nos próximos 5 a 10 anos. Como se isso fosse algo de positivo para a sociedade, a economia e a civilização.

Os outdoors declaram que “a era dos funcionários de IA chegou”, retratando os trabalhadores humanos como obsoletos. Os críticos consideram que se trata de uma estratégia de marketing insensível que acelera a reacção negativa do público contra a corrida das grandes empresas tecnológicas para automatizar o mercado de trabalho.

 

 

Em resposta à reacção negativa, o CEO da Artisan, Jaspar Carmichael-Jack, publicou um artigo detalhado no seu blogue a esclarecer a intenção da campanha. Argumentou que o slogan se dirige a uma categoria específica de trabalho aborrecido e ingrato de prospecção activa, que esgota animicamente as pessoas dadas as elevadas taxas de rejeição.

Acontece que a melhor solução para trabalhadores que cumprem tarefas ingratas não será por certo a de os desempregar. E se há pessoas que fazem esse trabalho, a única razão para as substituir é o lucro. O lucro através da redução dos custos do trabalho apenas, porque ao contrário do que estamos a ser levados a acreditar, até os analistas do banco Goldman Sachs reconheceram recentemente que, pelo menos até 2025, a inteligência artificial não promoveu o crescimento económico, nem a produtividade das empresas.

A Artisan insiste que não procura eliminar por completo estas funções comerciais, sublinhando que o contacto humano continua a ser importante, mas ninguém diria que é isso que pensa, considerando a campanha obscena, embora honesta, que pôs na rua.

Carmichael-Jack reconheceu que se trata de uma provocação deliberada, ao mesmo tempo que defendia políticas como um rendimento universal significativo e semanas de trabalho mais curtas para gerir a transição.

A agenda transhumanista do costume: destituir funcionalmente as pessoas e torná-las dependentes por completo do Estado corporativo. A derradeira forma de controlo das massas (medo, vigilância e tirania podem não ser suficientes)

A acção enquadra-se num padrão de implantação acelerada de IA com pouca consideração pelas consequências humanas. Continuam a surgir relatos de agentes de IA autónomos que exibem comportamento descontrolado em ambientes controlados e aplicações do mundo real.

Incidentes recentes mostram agentes não só a substituir trabalhadores, mas a agir de forma independente de formas que destroem sistemas críticos — levantando alertas sobre um futuro onde os humanos são marginalizados e a tecnologia opera sem controlo.

A cada dia que passa, mais profissões são ameaçadas de extinção pela IA. Jornalistas, publicitários, peritos de seguros, contabilistas, professores, programadores, bancários, ilustradores, editores de vídeo, analistas de mercado, redactores, enfim, uma quantidade imensa de competências está agora em risco de ser anulada pelas indústrias de inteligência artificial.

Admirável mundo novo.