“Parem de contratar humanos.” Estas palavras estão agora estampadas em outdoors de São Francisco a Nova Iorque, cortesia de uma startup californiana que promove a substituição de comerciais humanos por unidades de inteligência artificial.
A empresa, Artisan, comercializa agentes de IA que lidam com tarefas de prospecção comercial, como a geração de novos clientes, o envio de e-mails e a criação de primeiros contactos. A sua mensagem é directa: a era dos colaboradores de IA chegou e os humanos não são mais necessários.
This is so dystopian
“Stop Hiring Humans” billboards are being put up from San Francisco to New York City
The company behind the ads is a San Francisco based startup that builds virtual artificial intelligence sales reps
“The Era of AI Employees Is Here”
This particular… pic.twitter.com/LGiMtNpWYv
— Wall Street Apes (@WallStreetApes) May 15, 2026
A campanha da Artisan destaca uma tendência crescente de substituição da funcionalidade humana pelo artefacto algorítmico nas vendas e em muitas outras áreas profissionais. A startup afirma que as suas ferramentas podem eliminar até 600.000 empregos nos Estados Unidos nos próximos 5 a 10 anos. Como se isso fosse algo de positivo para a sociedade, a economia e a civilização.
Os outdoors declaram que “a era dos funcionários de IA chegou”, retratando os trabalhadores humanos como obsoletos. Os críticos consideram que se trata de uma estratégia de marketing insensível que acelera a reacção negativa do público contra a corrida das grandes empresas tecnológicas para automatizar o mercado de trabalho.
Driverless cars and a stop hiring humans campaign…
If this is the future, it is HELL pic.twitter.com/kl5sPIfmdr
— Amy Kremer (@AmyKremer) May 17, 2026
Em resposta à reacção negativa, o CEO da Artisan, Jaspar Carmichael-Jack, publicou um artigo detalhado no seu blogue a esclarecer a intenção da campanha. Argumentou que o slogan se dirige a uma categoria específica de trabalho aborrecido e ingrato de prospecção activa, que esgota animicamente as pessoas dadas as elevadas taxas de rejeição.
Acontece que a melhor solução para trabalhadores que cumprem tarefas ingratas não será por certo a de os desempregar. E se há pessoas que fazem esse trabalho, a única razão para as substituir é o lucro. O lucro através da redução dos custos do trabalho apenas, porque ao contrário do que estamos a ser levados a acreditar, até os analistas do banco Goldman Sachs reconheceram recentemente que, pelo menos até 2025, a inteligência artificial não promoveu o crescimento económico, nem a produtividade das empresas.
A Artisan insiste que não procura eliminar por completo estas funções comerciais, sublinhando que o contacto humano continua a ser importante, mas ninguém diria que é isso que pensa, considerando a campanha obscena, embora honesta, que pôs na rua.
Carmichael-Jack reconheceu que se trata de uma provocação deliberada, ao mesmo tempo que defendia políticas como um rendimento universal significativo e semanas de trabalho mais curtas para gerir a transição.
A agenda transhumanista do costume: destituir funcionalmente as pessoas e torná-las dependentes por completo do Estado corporativo. A derradeira forma de controlo das massas (medo, vigilância e tirania podem não ser suficientes)
A acção enquadra-se num padrão de implantação acelerada de IA com pouca consideração pelas consequências humanas. Continuam a surgir relatos de agentes de IA autónomos que exibem comportamento descontrolado em ambientes controlados e aplicações do mundo real.
Incidentes recentes mostram agentes não só a substituir trabalhadores, mas a agir de forma independente de formas que destroem sistemas críticos — levantando alertas sobre um futuro onde os humanos são marginalizados e a tecnologia opera sem controlo.
A cada dia que passa, mais profissões são ameaçadas de extinção pela IA. Jornalistas, publicitários, peritos de seguros, contabilistas, professores, programadores, bancários, ilustradores, editores de vídeo, analistas de mercado, redactores, enfim, uma quantidade imensa de competências está agora em risco de ser anulada pelas indústrias de inteligência artificial.
Admirável mundo novo.
Relacionados
15 Jun 26
Canto do cisne de Tulsi Gabbard: EUA financiam rede global de mais de 120 biolaboratórios em 30 países.
Naquele que poderá ser o seu último acto público como Directora de Inteligência Nacional, Tulsi Gabbard desclassificou as provas que confirmam que o governo federal dos EUA financia mais de 120 biolaboratórios em todo o mundo, incluindo na Ucrânia.
12 Jun 26
“Os Impulsos Básicos da IA”, de Steve Omohundro: Objectivos Instrumentais e os Perigos da Inteligência Artificial Descontrolada.
O paper de Stephen M. Omohundro, publicado em 2008 e intitulado “The Basic AI Drives”, é uma obra fundamental na área da segurança e alinhamento da inteligência artificial, que, passados 18 anos, continua impecavelmente actual. Importa por isso uma revisitação do seu conteúdo.
9 Jun 26
Que boa ideia: cientistas chineses criam vírus mutantes da gripe viária 560 mil vezes mais letais nos mamíferos que a estirpe original.
Vá-se lá saber porquê, cientistas chineses criaram vírus mutantes da gripe H5N1 e infectaram experimentalmente mamíferos para identificar combinações genéticas que aumentaram drasticamente a letalidade e melhoraram a compatibilidade do vírus com a estrutura celular humana.
8 Jun 26
Ensandeceram de vez: “Cientistas” propõem o uso de carraças geneticamente modificadas para provocar alergia à carne nos seres humanos.
É de loucos, mas dois académicos da universidade de Michigan publicaram um paper que defende ser moralmente justificável o uso de carraças geneticamente modificadas para disseminar uma alergia à carne nos seres humanos que é até potencialmente fatal.
4 Jun 26
Ex-executivo da Google:
“IA é responsável pela maior parte das mortes nas guerras do Golfo e da Ucrânia.”
Um ex-funcionário da Google, perito em tecnologias de inteligência artificial, acaba de revelar para que é que a IA está a ser utilizada nos bastidores. E não tem nada que ver com chatbots, como era expectável.
1 Jun 26
Engenharia de foguetes: Trambolho de Jeff Bezos explode em Terra, num simples teste de ignição.
A engenhoca da Blue Origin explodiu numa espectacular bola de fogo antes sequer de se erguer um centímetro da superfície da Terra, causando grandes danos na plataforma de lançamento e acordando para a realidade os delirantes sonhos da NASA para uma base lunar em 2035.






