Depois de toda a propaganda e do discurso agressivo e fanfarrão, e apesar de ter carregado consigo o Regime Epstein em peso, com os demónios de Wall Street e Silicon Valley a tentarem forçar negócios com Beijing, Donald Trump saiu vazio de triunfos da “grande cimeira” com Xi Jinping.

Trump chegou a gabar-se sobre a sua “a arte da negociação”, mas a China tratou-o como um turista. Depois de o ignorar à chegada, enviando uma comitiva de subordinados e crianças, Xi estendeu a passadeira vermelha e sorriu para as câmaras… sem praticamente ceder nada de substancial.

– Nenhum acordo para que a China ajude a pôr fim à desastrosa guerra no Irão (Beijing limitou-se a afirmar que não interferia na Guerra do Golfo);

– Nenhuma concessão sobre Taiwan;

– Falhanço da missão que procurava um acordo comercial e tecnológico sobre o H200 da NVIDIA (os chineses querem construir a sua própria placa de vídeo de alto desempenho);

– Nenhum avanço nas exportações de terras raras ou minerais críticos;

– Falhanço na tentativa de libertação do líder pró-democracia de Hong Kong, Jimmy Lai;

– Muito menos encomendas de aviões da Boeing do que Trump tinha apregoado;

– Guerra de tarifas aduaneiras sem resolução.

Para além da protocolar pompa e circunstância, Trump voltou para casa de mãos a abanar, parecendo mais uma vez fraco no palco mundial. E a reacção dos mercados foi compatível com a pobreza dos resultados.

 

 

Este é o resultado previsível da política externa improvisada do magnata de Queens. Depois de alienar aliados, iniciar guerras desnecessárias e transformar as tarifas num jogo caótico que não está a beneficiar ninguém e que castiga até os consumidores americanos, Trump mostrou que já não tem poder negocial com a China.

Xi sabe-o muito bem, e o mundo inteiro assistiu à humilhação do presidente norte-americano. Enquanto Trump estava ocupado a posar para fotografias e a elogiar a sua “óptima relação” com Xi, os Estados Unidos não receberam nada em troca.

Nenhuma ajuda sobre o Irão. Nenhum progresso nos desequilíbrios comerciais, na área tecnológica ou em relação a Taiwan. Nenhum fruto substantivo da “arte da negociação”. Nada de nada.

E todas as questões geopolíticas que afectam as duas grandes potências mundiais, e tudo à volta, ficaram por resolver.

Num episódio que ilustra bem a ansiedade de Trump para parecer um convidado privilegiado e a forma cínica como foi recebido, Xi Jinping levou Trump a uma estufa que considera um local único, pela beleza e raridade das espécies que lá são cultivadas. Trump fez questão de lhe perguntar de pronto se o Secretário-Geral do Partido Comunista da China já tinha levado lá outros líderes mundiais, na expectativa de ser agraciado com um vestígio de excepcionalidade. Jinping respondeu que sim, já tinha lá levado outros líderes… Como Vladimir Putin, por exemplo.

Alexander Mercouris e Alex Christoforou comentam o rato que a montanha pariu.