Às escuras, a 360 à hora.

Os contra-relógios do Gran Turismo 7, são a única forma de competir com os humanos que eu tenho paciência para cumprir, porque as corridas do modo Sport são, regra geral (e exceptuando certos patamares de performance que não são para o comum dos mortais), irritantes: vais sempre apanhar gananciosos que não sabem ultrapassar nem sabem ser ultrapassados, distraídos que se esquecem de travar ou que travam cedo de mais, ou – pior ainda – atrasados mentais que têm como passatempo estragar as corridas dos outros, de propósito. Para piorar as coisas, o sistema de penalidades do Gran Turismo, que nunca funcionou bem no GT Sport, também é muito fraquinho no GT 7.

O primeiro desafio que decidi aceitar, ainda em 2022, foi o de Le Mans à noite. E com automóveis do Grupo 1.

Precisamente por se realizar meio às escuras e a velocidades malucas, este é um contra-relógio daqueles em que, para seres minimamente competitivo, só tens duas hipóteses: ou conheces muito bem o circuito ou conheces muito bem o circuito.

Por sorte, conheço o célebre traçado de La Sartre de olhos fechados.

Comecei por pegar num Porsche LMP1 contemporâneo, fiz umas voltas e marquei um tempo dentro dos dois mil primeiros. Mas depois fui ver com que carros é que estava a correr a malta mais rápida e percebi que podia fazer muito melhor, porque a maior parte estava a usar as glórias dos anos 80 e 90, que pelos vistos ainda são os foguetões mais rápidos neste traçado lendário. Escolhi o famoso e rotativo Mazda 787B, que ganhou as 24 horas de Le Mans de 1991.

E que é um belo monstro.

 

 

8 voltas depois, consegui fazer um tempo decente, dentro dos primeiros 700 a nível mundial. Considerando que não insisti muito (não fiz mais que 20 voltas ao todo, com os dois carros), que a competição estava a três dias de fechar e que a participação nestes eventos é na ordem das centenas de milhar, não está mal.

 

 

Patinagem artística no Nurburgring Nordschleife.

Tenho uma volta para ultrapassar 15 adversários no Inferno Verde. Estou ao volante de um Porsche 911 GT3 (997) ’09 de série, só muito ligeiramente transformado (escape desportivo, travões desportivos e pneus desportivos macios). O carro soma 636 pontos de performance e o desafio recomenda afinação de 700.

No primeiro minuto e meio a coisa corre bem e mais ou menos fluída, mas depois começa a chover e quando chego à sequência rápida de Adenauer começa um outro desafio dentro do desafio: manter o automóvel na estrada já é uma vitória. Aqui o truque é resistir à tentação de levar o prego ao seu fundo. Tudo tem que ser feito com muita subtileza e ao primeiro erro os cavalos do 911 enviam-te directamente para os rails. É preciso ter paciência. E algum talento malabarista.

No Carrossel dou uma porrada valente na traseira de um Mercedes, mas como esta prova do GT7 não tem os danos mecânicos activados, sobrevivo. Em Schwalbenschwanz aproveito um erro do líder para passar e consigo, até de forma desafogada, terminar a volta em primeiro.

Mas não que tenha sido fácil, porque não foi.

 

 

P.S. – O som do motor DOHC de 4 litros deste 911, com a afinação de escape que instalei, é uma obra prima da música contemporânea.

 

Em Tóquio, sê samurai.

Uma das características do Gran Turismo 7 que estou a gostar mais é a de um certo regresso aos carros de série, cujo prazer de condução o jogo parece reavivar.

Ao volante de um Nissan R34 GT-R V-Spec II Nurburgring, de 2002, cumpro uma prova muito gira do modo carreira, contra automóveis modificados especialmente para o Tokyo Expressway, na sua versão mais fluída.

Em três voltas, dou o necessário bigode à inteligência artificial, mas a corrida, talvez por ser nocturna, talvez por indexar ao imaginário do street racing japonês, torna-se extremamente imersiva e este R34 GT-R é uma maravilha de conduzir, principalmente nas curvas mais rápidas.

 

 

Sim Racing Heaven.

O Toyota 86 Gr.4 é um automóvel muito giro de guiar e esta rapidinha de uma volta ao Nordschleife deu-me prazer de condução em generosa quantidade. Digam o que disserem, o GT7 é um fantástico e prolixo motor de divertimento. E oferece momentos de pura imersão, em que a qualidade visual, a verosimilhança das forças físicas e o pulsar da adrenalina atingem patamares olímpicos.

É claro que há simuladores melhores. Mas como misto de simulação e gozo dos automóveis, o produto da Polyphony está muito bem feitinho.

Neste caso, acabo por conseguir o primeiro lugar exactamente onde são decididas as corridas da vida real, no Inferno Verde: a recta de 3 kms de extensão de Schwalbenschwanz, pouco antes da meta.

Um final disputado a 3 que está super realista.