Dois funcionários dos serviços secretos norte-americanos confirmaram a vários órgãos da imprensa que agentes da CIA apreenderam documentos dos arquivos JFK e MKUltra que estavam a ser revistos pela Directora de Inteligência do governo federal, Tulsi Gabbard, para desclassificação.
Um outro denunciante da CIA, James Erdmann III, testemunhou perante a Comissão de Segurança Interna do Senado, na quarta-feira, que a agência “retomou 40 caixas de ficheiros JFK e MKUltra” e “monitorizou ilegalmente o uso de computadores e telefones” de funcionários do Gabinete da Directora de Inteligência Nacional (ODNI, na sigla em inglês) que estavam a investigar uma alegada conspiração para encobrir as origens da Covid-19.
CIA whistleblower claims the agency “took back 40 boxes of JFK and MK-Ultra files” that Tulsi Gabbard was reviewing for declassification.
The whistleblower also alleges the CIA “illegally monitored the computer and phone usage” of Gabbard’s investigators during the probe into… pic.twitter.com/AIRfS2utQE
— Shadow of Ezra (@ShadowofEzra) May 13, 2026
O MKUltra foi um programa experimental ilegal da CIA, já documentado pelo ContraCultura, que utilizou drogas e tortura psicológica para desenvolver técnicas de controlo mental, interrogatório e – especula-se – condicionamento de agentes e bodes expiatórios de operações secretas.
Katie Pavlich, da NewsNation, informou que “funcionários da CIA levaram documentos (relacionados com o assassinato de JFK/MKUltra) do Gabinete Nacional de Reconhecimento (parte do ODNI) no ano passado, a meio da noite, durante a paralisação do governo, e não os devolveram/estão a retê-los do ODNI”.
Antes do depoimento de James Erdmann III, a porta-voz da CIA, Liz Lyons, afirmou que a comissão do Congresso estava a agir de “má-fé” por não ter notificado a CIA da deposição em causa. Lyons, que não negou as acusações de resgate dos documentos referidos, afirmou a este propósito:
“A testemunha que depõe hoje não está a comparecer como denunciante em busca da verdade, mas sim em resposta à intimação emitida pela comissão. Este processo não passa de um teatro político desonesto disfarçado de audiência no Congresso.”
Pois, pois.
O ex-oficial da CIA, John Kiriakou, explicou a Jesse Watters, da Fox News, durante uma entrevista na noite de quarta-feira, que a CIA não tem qualquer autoridade sobre o Gabinete da Directora Nacional de Inteligência (ODNI).
“A CIA não pode anular a decisão do presidente, e a CIA não pode sequer anular a decisão da directora dos serviços de informação nacionais. São obrigados a desclassificar documentos. O povo americano tem o direito de saber o que está nestes arquivos. A vida real não deveria funcionar assim. Isto é de loucos”
Entretanto, a deputada republicana da Florida, Anna Paulina Luna, ameaçou intimar a CIA caso os ficheiros não fossem devolvidos ao ODNI no prazo de 24 horas.
The CIA has 24 hours to return the documents to Tulsi Gabbard’s office or else I will make a motion to issue a subpoena. These documents have been requested by Congress. @DNIGabbard @CIADirector https://t.co/Y5lMw8AYK5
— Rep. Anna Paulina Luna (@RepLuna) May 13, 2026
O Gabinete da Directora de Inteligência do regime Trump tem sido um espinho cravado no sistema desde que Tulsi Gabbard tomou posse. Em Março de 2025, despediu todos os funcionários das agências de inteligência dos EUA que discutiam “cirurgia transgénero” e “depilação, injecções de estrogénio e a experiência de prazer sexual pós-castração” nas plataformas de conversação governamentais. Nessa altura, foi ao senado testemunhar sob juramento que os serviços de inteligência norte-americanos não tinham recolhido qualquer evidência de que o Irão estaria a construir uma arma nuclear. Em Julho desse ano desclassificou documentos que provam sem margem para dúvida que a administração Obama cometeu crimes de traição e interferência eleitoral em 2016. Nesse mesmo mês, revelou que a ex-candidata presidencial Hillary Clinton estava, durante a campanha, “supostamente num regime diário de tranquilizantes pesados” e que Vladimir Putin tinha desse facto conhecimento.
Como o Contra documentou ontem, a directora de Inteligência do governo federal americano está agora a investigar dezenas de biolaboratórios estrangeiros financiados pelos EUA, muito provavelmente à revelia do regime Epstein.
Joe Kent, que enquanto chefe do contraterrorismo seria para todos os efeitos o número dois do gabinete liderado por Gabbard, tentou investigar ligações estrangeiras ao assassinato de Charlie Kirk, tendo sido impedido de prosseguir a sua investigação pelo FBI e por forças do estabelecimento. Demitiu-se posteriormente em protesto contra a guerra espoletada pelo regime Epstein no Golfo Pérsico.
As tensões entre a CIA e o ODNI são, à luz destes factos, fáceis de entender.
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