Depois de recusar demitir-se perante o desastre eleitoral da semana passada e das críticas virulentas provindas do seu próprio partido, o primeiro-ministro britânico está agora a nacionalizar a indústria e a tentar inverter o resultado do Brexit.

 

Keir Starmer, fez um discurso de 20 minutos abordando as derrotas eleitorais do Partido Trabalhista e delineando planos para uma relação mais forte com a UE e um compromisso com reformas internas.

Tentando salvar o seu mandato no contexto da ascensão eleitoral do Reform UK, o primeiro-ministro britânico abordou os reveses eleitorais em Inglaterra, Escócia e País de Gales, prometendo assumir a responsabilidade pelos resultados, enquanto atacava Nigel Farage como “perigoso”, e prometendo que vai colocar o Reino Unido de volta no caminho para a reintegração na União Europeia (UE).

Starmer delineou planos para fortalecer a relação do Reino Unido com a UE, propondo um programa de intercâmbio juvenil e destacando a importância de uma “redefinição” nas relações europeias. A nível interno, prometeu nacionalizar a British Steel, uma empresa que é propriedade de um grupo chinês, e impedir a entrada no Reino Unido do que descreveu como “agitadores de extrema-direita”, que pretendem ingressar numa marcha de protesto liderada por Tommy Robinson.

Elegendo Farage como seu alvo principal, acusando o facto do Reform UK ser agora o partido mais popular no Reino Unido, Starmer continuo a pressionar na tecla cega da difamação pessoal, cujos resultados, aparentemente, têm sido contraproducentes:

“Quero recordar-vos o que Nigel Farage disse sobre o Brexit. Ele disse que nos tornaria mais ricos. Errado. Tornou-nos mais pobres. Disse que reduziria a imigração. Errado. A imigração disparou. Ele disse que nos tornaria mais seguros. Errado outra vez. Simplesmente fugiu da cena e agora fala sobre quase tudo, menos sobre as consequências do que implementaram. Não é apenas um vigarista, é um oportunista.”

É claro que o que tornou o Reino Unido mais pobre não foi a saída da União Europeia, porque a União Europeia está a empobrecer todos os seus Estados membros, e porque o estabelecimento britânico não precisa de ajuda para empobrecer os britânicos: faz isso muito bem por si só, com cargas fiscais brutais, gestão danosa da administração pública e despesismo aberrante, políticas de imigração ruinosas, políticas sociais delirantes, políticas ambientais apocalípticas, políticas energéticas suicidas, legislação excessiva e esquizofrénica, prioridades desviadas dos interesses dos cidadãos e etc.

E é também mais que óbvio que a imigração não foi reduzida porque o Reino Unido deixou a União Europeia (o argumento é risível). A imigração não é reduzida porque o estabelecimento britânico se recusa por todos os meios a reduzi-la.

O discurso de Starmer procurou consolidar a sua liderança no meio de crescentes críticas internas no partido e rejeição do eleitorado. O seu foco nos laços europeus e nas reformas internas destaca uma mudança estratégica para reconstruir o apoio eleitoral a partir da extrema-esquerda, numa manobra para reconquistar os eleitores do Partido Trabalhista que se estão a afastar e se sentem mais atraídos pelo movimento Verde de Zack Polanski. Mesmo com o sacrifício da classe média britânica, centrista por natureza.

Poderá ser por aqui que se vai manter no poder até ao fim do seu mandato, mas dificilmente é este o caminho para impedir Nigel Farage de chegar ao poder executivo, daqui a três anos.