Este artigo foi originalmente publicado no blogue Politicamente Incorrecta à altura dos factos, em Abril de 2026, poucos dias após a intervenção de Francisco Goiana da Silva no programa Raio X da SIC e a entrega da petição «Pelo Fim da Ideologia de Género nas Instituições». Quase imediatamente a seguir à sua publicação, o texto foi removido — um exemplo claro da censura selectiva que atinge vozes críticas à ideologia de género, especialmente quando expõem conflitos de interesses e questionam a narrativa mediática dominante.

Numa perspectiva crítica de género — aquela que defende a realidade biológica do sexo como binária e imutável, que rejeita a ideologia de género como pseudociência lucrativa e que prioriza a protecção de menores contra intervenções irreversíveis —, a recente intervenção de Francisco Goiana da Silva revela mais do que uma mera opinião pessoal. Revela o alinhamento de um influente médico, professor universitário e comentador mediático com uma agenda que, sob o pretexto de «direitos» e «saúde», promove a medicalização em massa de jovens, muitos dos quais são simplesmente homossexuais em fase de confusão identitária.

A publicação de Marisa Antunes no LinkedIn (repartilhada pelo Laboratorium PT) expõe com clareza esta rede de interesses. Proponho-me dissecá-la ponto por ponto, com base nos factos e no contexto mais amplo.

 

1. O contexto imediato: a petição e as “terapias de conversão”

Francisco Goiana da Silva, vice-presidente da Sword Health, professor no Imperial College London, na NOVA Medical School e na Universidade da Beira Interior, classificou no Raio X as «terapias de conversão sexual» como «perigosas» e «absolutamente grotescas». Afirmou ser homossexual e «não se sentir menos saudável do que muitos heterossexuais».

À primeira vista, parece uma defesa da homossexualidade. Na prática, é um truque retórico: equiparar a protecção contra tentativas de «curar» a orientação sexual à proibição de qualquer questionamento da «identidade de género». A petição entregue na Assembleia da República visa exactamente o oposto: descriminalizar abordagens exploratórias (não punitivas) para jovens com disforia e acabar com a imposição da ideologia que transforma confusão adolescente em «transição afirmativa».

Países como o Reino Unido (Cass Review, 2024), Suécia, Finlândia e Noruega já restringiram bloqueadores de puberdade e hormonas cruzadas em menores pela falta de evidência robusta e pelos danos comprovados. Portugal seguiu caminho oposto com a lei de 2018, uma das mais radicais da UE na altura.

 

2. Conflitos de interesse e ligações à indústria farmacêutica

Goiana da Silva tem um percurso público na promoção de vacinas anti-Covid da Pfizer durante a pandemia. A Pfizer é também um dos maiores produtores mundiais de terapias hormonais cruzadas (estrogénios, testosterona e análogos de GnRH). Não é conspiração: é economia. A explosão de diagnósticos de disforia de género (aumento de milhares por cento, sobretudo em adolescentes do sexo feminino) cria um mercado cativo quando as leis facilitam o acesso sem um controlo de acesso rigoroso.

Médicos com visibilidade mediática e ligações a políticas de saúde pública têm precisamente o perfil para legitimar esta medicalização perante a opinião pública. A SIC, que recebe publicidade farmacêutica, amplifica essa voz.

 

3. O impacto real nas crianças, jovens e na comunidade homossexual

A ideologia trans captura mais do que liberta. Estudos antigos mostram que 80-90% das crianças com disforia resolviam naturalmente na puberdade. Hoje, com afirmação social precoce, as referências explodiram e surgem mais casos de destransição. Muitos desses jovens são homossexuais (rapazes efeminados e raparigas masculinas) que não se encaixam em estereótipos.

Goiana da Silva, enquanto homossexual, deveria ser dos primeiros a denunciar esta forma moderna de homofobia internalizada disfarçada de progressismo. Em vez disso, contribui para uma narrativa que justifica intervenções irreversíveis (esterilidade, mastectomias, dependência vitalícia de fármacos) em nome da «empatia».

 

4. A maioria silenciosa

Sondagens europeias mostram que a maioria da população rejeita a transição médica de menores quando confrontada com os riscos reais. Os media dão palco aos activistas ruidosos, enquanto silenciam ou removem vozes como esta. A petição e publicações como a de Marisa Antunes representam quem questiona com base em evidência (Cass Review, Littman ROGD, dados de desistência, processos de detransitioners como Keira Bell).

 

Conclusão

Francisco Goiana da Silva não é apenas um comentador: é um actor influente numa área onde ideologia e interesses económicos se sobrepõem. Defender a realidade biológica do sexo, exigir investigação séria (em vez de afirmação imediata) e proteger a infância não é «ódio» — é ciência, ética médica e bom senso.

A remoção deste artigo do blog pouco após publicação confirma o problema: em vez de refutar com factos, opta-se pela censura. Republico-o agora, desta vez no ContraCultura, mais robusto e actualizado. Portugal deve alinhar-se com os países que priorizam evidência sobre ideologia. A infância não é campo de experimentação lucrativa.

 

 

 

MARIA HELENA COSTA

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Maria Helena Costa nasceu em Aveiro, em 1965. É cristã, conservadora, casada, mãe de três filhos e avó de duas netas. Preside à Associação Família Conservadora e é deputada municipal. Realiza regularmente palestras sobre os impactos das correntes ideológicas contemporâneas na infância. É autora de várias obras publicadas, entre as quais: Identidade de Género – Toda a Verdade (2019), #éhoradospais – Uma defesa do superior interesse das crianças (2020), Feminismo Tóxico (2022), Ideologia de Género – Crónicas publicadas no Observador (2023) e Identidade de Género – Ideologia ou Ciência? (2025).

As opiniões da autora não reflectem necessariamente a posição do ContraCultura.