Os governos da Europa Ocidental e os burocratas da UE estão a promover regulamentos mais rigorosos sobre os servidores VPN, como parte de uma iniciativa mais ampla para a “verificação da idade online” e da sua agenda de “Controlo de Chat”.
Os defensores da privacidade e os grupos de defesa dos direitos digitais alertam que a Europa está a caminhar para um regime de vigilância e censura semelhante às restrições de internet e firewalls utilizadas pela China.
Na semana passada, a vice-presidente executiva da Comissão Europeia, Henna Virkkunen, sugeriu que Bruxelas precisa de abordar a utilização de VPN para contornar os futuros sistemas de verificação da idade da UE. Falando durante uma conferência de imprensa sobre a nova aplicação de verificação digital da idade da UE, Virkkunen reconheceu que os utilizadores poderiam contornar o sistema com VPNs e afirmou que impedir esse recurso estaria entre os “próximos passos” que os decisores políticos precisam de examinar.
🚨EU plans VPN crackdown: New age ID system “cannot be bypassed” via VPNs.
Couldn’t stop illegal migration, but suddenly goes full North Korea on controlling what Europeans read online. pic.twitter.com/Kn8OnygnWW
— Don Keith (@RealDonKeith) May 2, 2026
Ou seja: a UE quer impedir o acesso livre e privado à web através da tecnologia VPN em nome da segurança das crianças. Se a premissa fosse mais orwelliana, rebentava. Da mesma forma que a tirania de Bruxelas “salva a democracia”, da mesma maneira que as vacinas mRNA “salvam vidas”, dentro do exacto paradigma semântico que promove o empobrecimento energético e industrial da Europa para “salvar o planeta”, a vigilância sobre o livre arbítrio e a cidadania “salva as crianças”.
É espantoso.
As declarações de Virkkunen foram feitas apenas duas semanas depois de ter partilhado um palco com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que clamou por medidas mais rigorosas contra as empresas de media online para “proteger as crianças” de conteúdos perigosos. A primeira etapa da agenda é uma aplicação universal de verificação de idade criada pela teocracia da Comissão Europeia, que as empresas online serão obrigadas a integrar.
A inversão semântica do discurso político da Comissão Europeia não é casual, claro. A “vulnerabilidade infantil” é um instrumento cuidadosamente escolhido para manipular a opinião pública, abrindo caminho para o controlo governamental gradual do conteúdo e do discurso online.
A verificação da idade soa como uma reforma de bom senso para impedir que as crianças acedam a conteúdos para adultos, sites de jogo, produtos com restrições de idade, etc. No entanto, o verdadeiro alvo são as redes sociais, a liberdade de expressão, a privacidade dos utilizadores e o anonimato.
Basta ouvir o führer, perdão, o chanceler alemão para perceber o que está em jogo:
🇩🇪 Bundeskanzler Friedrich Merz fordert eine Klarnamenpflicht für alle Internetnutzer. Merz reichte bereits tausende Anzeigen gegen Online-Kritiker ein. Er will die Anonymität im Netz zur besseren Strafverfolgung vollständig abschaffen pic.twitter.com/xzAODKYLcU
— Nachrichten (@NewsFokus) May 6, 2026
A Comissão Europeia tem manifestado regularmente a sua intenção de obter um maior controlo regulamentar sobre plataformas como o X. A aquisição da rede social por Elon Musk desencadeou uma mudança radical no discurso online, eliminando anos de domínio do estabelecimento nas grandes empresas tecnológicas e permitindo a dissidência (até certo ponto, claro).
Mas para os apparatchiks de Bruxelas qualquer plataforma que permita qualquer dissidência sobre as narrativas oficiais é, por defeito, perigosa e deve ser censurada. Em particular, as elites europeias temem uma ruptura geracional com o movimento leninista-globalista, a primeira em muitas décadas.
Moderar o acesso aos media será sempre uma responsabilidade dos pais, não dos governos. Além disso, pressionar as empresas a assumirem mais responsabilidade pelas restrições de idade não é a mesma coisa que exigir que todos utilizem uma aplicação intrusiva criada por tecnocratas que ninguém elegeu.
Estas medidas suscitaram fortes críticas por parte da Electronic Frontier Foundation (EFF), de especialistas em cibersegurança e de fornecedores de VPN, que defendem que a lei é tecnicamente inexequível e corre o risco de criminalizar os utilizadores comuns preocupados com a privacidade.
Entretanto, em França, as autoridades sinalizaram também que as restrições às VPN podem eventualmente seguir o plano do país de proibir o acesso de crianças com menos de 15 anos às redes sociais. A ministra francesa dos Assuntos Digitais, Anne Le Hénanff, afirmou no início deste ano que as VPN são “as próximas da minha lista” nos esforços para impedir que os menores contornem as restrições online.
É importante notar que a maioria dos esforços europeus para controlar o acesso às redes sociais ocorreram na sequência da ascensão de movimentos populistas que se espalharam com sucesso na web e ofuscaram o activismo progressista. Estes movimentos utilizam frequentemente o discurso online para desmantelar os argumentos e a propaganda progressistas, e são extremamente eficazes. O estabelecimento decidiu que, se não consegue vencer o debate de forma justa e transparente, a censura, a vigilância e a coacção é uma solução eficaz.
Começam pelas crianças e adolescentes, em nome da protecção contra conteúdos perigosos, e depois alargam o seu domínio burocrático e a sua ambição totalitária a todos os cantos da Internet.
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