No paleolítico inferior da coisa, quando andava na instrucção primária, os professores chamavam “cavalgaduras” aos miúdos que mostravam dificuldades de aprendizagem.
Hoje em dia, detecto cavalgaduras por todo o lado. Gente e mais gente que não aprendeu nada, apesar das toneladas de factos didácticos que rebentaram por todo o lado, desde 2020, pelo menos.
Estes infelizes ainda ‘seguem a ciência’, ainda se sentam à frente da televisão para consumirem o telejornal como se o telejornal fosse uma espécie de evangelho da modernidade, ainda concedem autoridade às autoridades, ainda acreditam, como os clientes das prostitutas que acham que as prostituas estão apaixonadas por eles, no que lhes dizem políticos e ministros e secretários de estado e médicos e ‘peritos’, palhaços ricos e pobres do decadente e desertificado circo da imprensa corporativa.
Há cavalgaduras que não aprenderam nada, mas absolutamente nada, com as lições do evento Covid, e continuam a pensar que é uma boa ideia estigmatizar as pessoas que tiveram a lucidez e a coragem de evitar as terapias genéticas mRNA.
Retarded doctors like you are the reason people refuse vaccines.
— ContraCultura (@Conta_do_Contra) May 7, 2026
Há cavalgaduras que suspeitam que os governos não lhes dizem a verdade sobre certos assuntos, mas que lhes dizem a verdade sobre outros (estas são as cavalgaduras que mais espécie me fazem, para dizer a verdade):
For a guy that has an account dedicated to this kind of stuff you seem extremly naive, man. Get real. Why would the federal government tell you the truth about UFOs when they lie about everything else? Also: this motherfucker Mellon is CIA.
— ContraCultura (@Conta_do_Contra) May 1, 2026
(O caso específico deste simplório é especialmente doloroso, porque 48 horas depois de ter afirmado que o governo federal americano não ia despejar no domínio público um hambúrguer de coisa nenhuma, foi precisamente um hambúrguer de coisa nenhuma que o governo federal americano despejou no domínio público.)
As cavalgaduras chegam até ao anacrónico cúmulo autista de acharem que chamar teórico da conspiração a alguém, no ano 2026 Depois de Cristo, é extremamente ofensivo: o melhor que conseguem fazer para irritar ou denegrir um determinado indivíduo.
Bom, devo dizer que quando essa “ofensa” me é dirigida recebo-a como um elogio tremendo (fico corado e tudo).
No outro dia publiquei no X um post sobre os chemtrails que observo aqui em Sesimbra e que, considerando a forma escrupulosamente avarenta como o algoritmo desta rede social trata a conta do ContraCultura, teve um alcance enorme, e um ratio (gostos vs comentários) que também me parece deveras favorável. Mas os comentários, regra geral, iam neste sentido:
Ora, qualquer pessoa que costume frequentar o Blogville ou o ContraCultura sabe que eu tenho a firme convicção que a teoria da conspiração é o método científico do século XXI e esta gente, o que está a fazer, se bem que inadvertidamente, é a celebrar a minha capacidade de antecipar factos, de prever tendências, de adivinhar conluios e de saber discernir a verdade de entre o ruído da propaganda.
Não sei se mereço este tipo de comenda, na verdade, porque nem sempre consigo ser um teórico da conspiração tão competente como seria desejável, mas a todas estas gentis, se bem que equivocadas alminhas, que integram a grande manada de gado sonâmbulo dos nossos tempos, aqui deixo os meus mais sentidos e sinceros agradecimentos.
Paulo Hasse Paixão
Publisher . ContraCultura
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