Ilie Bolojan, um globalista em queda

 

O primeiro-ministro Ilie Bolojan foi destituído por um voto de desconfiança apenas 11 meses depois de ter assumido o cargo.

 

O Governo pró-europeu e globalista-leninista da Roménia caiu na terça-feira, depois de o primeiro-ministro Ilie Bolojan ter sido destituído por um voto de desconfiança apoiado pelo Partido Social Democrata (PSD) e pela Aliança para a União dos Romenos (AUR), de tendência nacionalista.

A moção foi aprovada com 281 votos a favor, muito acima dos 233 necessários para derrubar o governo. Apenas quatro parlamentares votaram contra a moção, enquanto três votos foram anulados, de acordo com a contagem oficial. Bolojan permanecerá agora como primeiro-ministro interino com poderes limitados até que um novo governo seja formado.

A queda do governo acontece menos de um ano após a sua tomada de posse e fez de Bolojan o sétimo primeiro-ministro romeno a ser destituído por uma moção de censura desde a saída de Emil Boc em 2009.

A crise eclodiu depois de o Partido Social Democrata ter retirado os seus ministros do governo, encerrando a coligação com o Partido Nacional Liberal de Bolojan. Os sociais-democratas uniram então forças com a Aliança para a União dos Romenos, o partido da oposição liderado por George Simion, para apresentar a moção contra o primeiro-ministro.

A aliança representou uma grande reviravolta política para o líder social-democrata Sorin Grindeanu, que tinha insistido repetidamente que o seu partido não entraria em aliança com o partido nacionalista. Simion também tinha anteriormente descartado qualquer acordo com os sociais-democratas, afirmando em 2024 que renunciaria ao cargo público caso firmasse uma aliança com os sociais-democratas, afirmando:

“George Simion não aplaude o Partido Social Democrata. George Simion não forma uma aliança com o Partido Social Democrata. George Simion é o único capaz, enérgico o suficiente, jovem o suficiente e determinado o suficiente para acabar com o Partido Social Democrata na Roménia.”

Apesar do peremptório tom majestático, o líder nacionalista aliou-se aos dirigentes do Partido Social Democrata, e no final de Abril anunciaram que iriam trabalhar em conjunto naquilo que descreveram como a redacção “técnica” de uma moção de censura conjunta.

O ex-vice-primeiro-ministro Marian Neacsu, falando em nome dos Social-Democratas, disse que a medida foi tomada após “várias rondas de discussões” entre os partidos e insistiu que a cooperação era “uma questão exclusivamente técnica”.

Porque, claramente, social-democratas e nacionalistas só têm a fome de poder em comum.

O colapso, que não deixa por isso de ser uma boa notícia, ocorre após semanas de instabilidade desencadeadas pela decisão dos social-democratas, a 20 de Abril, de retirar o apoio político a Bolojan. No dia seguinte, Bolojan acusou o partido de Sorin Grindeanu de criar a crise. Ministros do PSD apresentaram formalmente as suas demissões dias depois.

O Presidente Nicusor Dan precisa agora de consultar os partidos parlamentares antes de indicar um novo candidato a primeiro-ministro, esclarecendo, no entanto, que a Roménia manterá uma trajectória convergente com Bruxelas e afastando a nomeação de um primeiro-ministro da Aliança para a União dos Romenos (AUR).

A democracia na Roménia tem vivido um ciclo de instabilidade há algum tempo, com as forças globalistas a exercerem o seu usual punho de ferro sobre a dissidência, como se pode comprovar pelas polémicas eleições presidenciais de 2024, cuja primeira volta foi repetida em circunstâncias polémicas (para não dizer escandalosas), após a vitória do populista Calin Georgescu ter sido anulada arbitrariamente pelo Tribunal Constitucional.

Simion acabou por concorrer como candidato nacionalista ao segundo acto eleitoral, perdendo na segunda volta para Nicusor Dan, o então presidente da câmara liberal e pró-UE de Bucareste.

A queda do governo ocorre num momento delicado para a Roménia, que está sob pressão para conter o seu défice, proteger a sua classificação de crédito e cumprir as metas de reforma que a União Europeia determinou como necessárias para desbloquear milhares de milhões em fundos de recuperação.