Inspirada pelo texto corajoso e clarividente de Fernando Machado Neto no Instagram — que está já a incendiar debates ao expor como o feminismo se infiltrou até na Igreja de Cristo —, decidi escrever sobre o tema sem anestesia: o feminismo não libertou as mulheres. Traiu-as. E fê-lo da forma mais cruel possível. Prometeu empoderamento, mas entregou exaustão. Prometeu autonomia, mas entregou solidão. Prometeu a realização plena, mas entregou a dependência química do Estado e uma avalanche de antidepressivos. E, no auge da loucura, deixou-as vulneráveis à maior de todas as mentiras: a de que podem “mudar de sexo” e tornar-se homens.

Nunca, em toda a história da humanidade, as mulheres foram tão sobrecarregadas como hoje. O feminismo convenceu-as de que deviam “ter tudo”: uma carreira de sucesso, o corpo perfeito, filhos criados sem apoio e uma vida de “independência total”. O resultado? Trabalham mais do que nunca — horas pagas, horas domésticas, horas emocionais e horas de culpa. São provedoras, mães, terapeutas e chefes de família; contudo, continuam a ser cobradas por não serem “fortes o suficiente”. A “mulher empoderada” tornou-se sinónimo de mulher esgotada. O que deveria ser liberdade transformou-se numa prisão de 24 horas por dia.

E a solidão? A solidão é o veneno silencioso que o feminismo injectou no coração das mulheres. Ao declarar guerra ao casamento instituído por Deus, à figura do pai e ao homem como provedor e protector, o feminismo destruiu a rede de apoio que a natureza e a história sempre ofereceram. Hoje, os lares monoparentais chefiados por mulheres explodiram. Segundo dados recentes da Pordata, as mulheres que vivem sozinhas com os filhos representam já 85% do total de famílias monoparentais em Portugal, num universo de 512.478 agregados em 2025.

Muitas repetem o mantra tóxico: “Eu consigo criar os meus filhos sozinha”. Conseguem? Os números gritam o contrário. As mães solteiras enfrentam taxas alarmantes de depressão, ansiedade e esgotamento. Sem um parceiro estável, correm para os braços do Estado — subsídios, creches públicas, benefícios —, trocando a dependência de um homem de verdade pela dependência de um governo impessoal. Isto não é empoderamento. É abandono disfarçado de progresso.

O golpe mais baixo veio sob a forma de comprimidos. As mulheres nunca consumiram tantos antidepressivos como agora. Em muitos países, o consumo é o dobro do dos homens. Porquê? Porque a ideologia que prometeu felicidade sem amarras gerou um vazio existencial insuportável. Quando se passa a vida inteira a ouvir que não se precisa de ninguém, que os papéis de género são opressão e que a realização vem apenas de si mesma, o que resta é um buraco na alma. O feminismo não curou o sofrimento feminino — multiplicou-o.

E qual o capítulo final desta tragédia? A susceptibilidade absoluta à mentira mais absurda do nosso tempo: a de que uma mulher pode “mudar de sexo”. O feminismo começou por desconstruir papéis sociais e terminou a desconstruir a própria biologia. O resultado é uma epidemia de disforia de género entre adolescentes e jovens adultas. Raparigas já fragilizadas pela sobrecarga e pela solidão são bombardeadas nas redes sociais com a ideia de que cortar os seios, tomar hormonas e “ser homem” resolverá tudo. É o auge da crueldade: uma ideologia que começou subtilmente e terminou em mutilação cirúrgica e num arrependimento irreversível para milhares de jovens.

O texto de Machado Neto acerta no alvo: o feminismo não é apenas uma ideologia política. É uma lente cultural que distorce a realidade, a Palavra de Deus e a própria criação. Substitui a ordem divina — homem e mulher complementares, a família como base, a autoridade como protecção — por uma autonomia radical que escraviza. As mulheres não foram oprimidas pelo “patriarcado”. Foram oprimidas pela mentira de que podiam ser deusas de si mesmas.

Basta de romantizar o fracasso. As mulheres merecem a verdade nua e crua: o feminismo tornou-as mais exaustas, mais solitárias, mais medicadas, mais dependentes e mais iludidas do que em qualquer outra época da história. Não é coincidência. É consequência.

É hora de acordar.

É hora de rejeitar a ilusão.

É hora de voltar ao que realmente funciona: à verdade, à ordem natural e à liberdade que só a realidade — e não a ideologia — pode oferecer.

As mulheres não precisam de mais feminismo.

Precisam, como escreveu Bérénice Levet, de ser libertadas do feminismo.

 

 

MARIA HELENA COSTA

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Maria Helena Costa nasceu em Aveiro, em 1965. É cristã, conservadora, casada, mãe de três filhos e avó de duas netas. Preside à Associação Família Conservadora e é deputada municipal. Realiza regularmente palestras sobre os impactos das correntes ideológicas contemporâneas na infância. É autora de várias obras publicadas, entre as quais: Identidade de Género – Toda a Verdade (2019), #éhoradospais – Uma defesa do superior interesse das crianças (2020), Feminismo Tóxico (2022), Ideologia de Género – Crónicas publicadas no Observador (2023) e Identidade de Género – Ideologia ou Ciência? (2025).

As opiniões da autora não reflectem necessariamente a posição do ContraCultura.