A Marinha Real Britânica ficou com apenas cinco fragatas disponíveis para serviço activo após a retirada efectiva da HMS Iron Duke.

O navio de guerra teve os seus sistemas de armas e sensores removidos e permanece atracado desde Outubro, apesar de ter sido alvo de uma renovação de 103 milhões de libras em 2023, que deveria prolongar a sua vida útil em pelo menos cinco anos.

Agora, espera-se que a HMS Iron Duke permaneça fora de serviço até ao seu desmantelamento previsto para 2028, aumentando as preocupações sobre a força naval britânica numa altura de crescente instabilidade global e em que a classe política e militar britânica fala da guerra contra a Rússia como quem comenta resultados da Premier League.

De acordo com o Navy Lookout, a fragata operou durante um máximo de 16 meses em plena capacidade operacional após a grande renovação, o que significa que esse investimento de 103 milhões de libras custou, na prática, cerca de 6,4 milhões de libras por mês de serviço activo, excluindo os custos operacionais.

As extensas reparações começaram em Devonport em Maio de 2019 e foram descritas como as mais complexas já realizadas numa fragata desta classe.

O HMS Iron Duke já estava atracado em Portsmouth desde 2017 devido à grave corrosão do casco, antes de ser submetido à gigantesca renovação.

O motivo exacto da aparente retirada do navio permanece incerto, embora as especulações se concentrem na corrosão da quilha, na falta de tripulação ou em problemas de propulsão que tornaram os investimentos feitos completamente contraproducentes e economicamente desastrosos.

A sua perda impõe uma pressão ainda maior sobre os já escassos recursos da Marinha Real Britânica, tanto mais que o Reino Unido procura, alegadamente, conter a crescente actividade naval russa no Canal da Mancha e no Atlântico Norte.

A redução deixa também o Grupo de Ataque de Porta-Aviões com apenas uma fragata de escolta – metade do complemento mínimo anteriormente projetado.

Entretanto, as restantes cinco fragatas em serviço activo estão sobrecarregadas com uma só missão: a de monitorar possíveis movimentos de submarinos russos no Atlântico Norte.

Só para termos uma referência operacional, a terceiro-mundista marinha portuguesa tem agora tantas fragatas no activo como a marinha britânica.

A retirada da HMS Iron Duke surge no contexto de recentes alertas do Primeiro Lorde do Mar, o General Sir Gwyn Jenkins, de que a alegada ameaça representada pela Rússia provavelmente se intensificará nos próximos anos. E isto enquanto o chefe do estado maior das forças armadas britânicas não se cansa de sugerir que a Guerra com a Rússia é inevitável e que os ingleses têm que se preparar para perderem os seus filhos e netos nesse conflito.

É verdade que submarinos russos entraram em águas britânicas nos últimos meses, mas essa presença deve-se ao facto do governo de Keir Starmer ter ameaçado a captura de navios da marinha mercante russa que transitarem pelo Canal da Mancha.

Quanto mais tresloucadas e perigosas são as ameaças dos líderes europeus à segunda maior potência militar do mundo, menores são os seus recursos militares. E considerando o que está a acontecer à NATO neste momento, vítima da ira de Donald Trump, confirma-se a cada dia uma tese central do ContraCultura: as elite ocidentais não procuram fazer guerras para as vencer, no sentido clássico do termo.

A destruição, a morte, a queda civilizacional é uma vitória, por si só.