A dívida nacional dos EUA atingiu um marco histórico a 31 de Março deste ano, quando ultrapassou o valor total da produção de toda a economia americana.
A dívida pública da federação americana no fim do primeiro trimestre era de 31.27 triliões de dólares, enquanto o Produto Interno Bruto (PIB), o valor total dos bens e serviços na economia, era de 31.22 triliões de dólares. O rácio entre o PIB e a dívida era de 100,2%, face aos 99,5% de Setembro de 2025.
Actualmente, o governo gasta 1,33 dólares por cada dólar arrecadado em receitas, com défices orçamentais consistentemente na ordem dos 6% do PIB. Este número continuará a subir, a menos que sejam feitas reduções drásticas nas despesas — o que parece improvável, dada a falta de propostas sérias de cortes orçamentais a transitar no Congresso. Pelo contrário, tanto o Capitólio como a Casa branca continua investidos num despesismo absolutamente desvairado.
Tanto mais que os passivos não financiados, incluindo a Segurança Social e o Medicare, aumentarão à medida que a geração baby boomer continuar a reformar-se, pressionando ainda mais o orçamento federal. Estes programas de despesas obrigatórias representam aproximadamente 50% das despesas federais. Os futuros passivos não financiados podem totalizar até 193 triliões de dólares, de acordo com um relatório de Março da Open the Books.
A dívida pública norte-americana só foi superior aos presentes índices nos anos da II Guerra Mundial, em que o Tesouro financiou o esforço bélico com obrigações a 10 anos.
Em 2027, o Gabinete Orçamental do Congresso (CBO) projecta que as despesas obrigatórias com a Segurança Social, o Medicare e o Medicaid, mais os juros da dívida, excederão permanentemente as receitas fiscais federais, de acordo com um relatório do Boyd Institute. Isto significa que cada dólar de despesa discricionária em programas que vão desde a defesa à investigação e às agências federais será totalmente financiado com dinheiro emprestado.
A queda da taxa de participação na força de trabalho dos EUA deverá pressionar ainda mais o já inchado orçamento federal, com a taxa a cair para o nível mais baixo desde 1977, em Março.
Os EUA já gastam mais em juros da dívida do que em despesas de defesa (apesar destas serem agora também astronómicas), de acordo com o relatório do Boyd Institute. Este problema será agravado se os juros pagos pelo governo aos detentores de dívida aumentarem.
Durante décadas, os economistas do estabelecimento em Washington e nas decadentes academias da Ivy League defenderam que a emissão massiva de moeda e uma dívida pública desmesurada não constituíam um problema sério enquanto o produto interno bruto americano superasse a carga deficitária da federação. Agora vão provavelmente inventar um paradigma novo, para sustentar o trajecto suicida que venderam como viável, e salvar os seus chorudos empregos. Até que a realidade pulverize os seus desvarios (que não as suas carreiras, lamentavelmente).
Os perdulários gastos governamentais levaram o ex-secretário do Tesouro, Henry Paulson, a alertar, a 16 de Abril, que o governo federal precisava de elaborar um plano de emergência para lidar com uma possível crise no mercado de títulos do Tesouro dos EUA — que os investidores compram e são utilizados para financiar a avalanche de gastos públicos.
Paulson advertiu que, à medida que o governo federal continua a acumular mais dívida, os investidores exigirão taxas de juro mais elevadas para os compensar do risco de comprar títulos do Tesouro americano, dado que a probabilidade de o governo conseguir efecuar todos os seus pagamentos a tempo está a diminuir a cada dia que passa. Isto, por sua vez, faria com que os juros pagos pelo governo federal para financiar a sua dívida aumentassem, num ciclo vicioso que torna a insolvência mais que provável.
O cenário só está a ser agravado com a guerra contra o Irão, que pode levar os países do Golfo a abandonar a sua política de investimento dos ganhos com o petróleo em títulos do tesouro americano e de constituição de reservas fiduciárias em dólares.
Paulson disse à Bloomberg a este propósito:
“Precisamos de um plano de emergência, um plano de curto prazo, que esteja pronto para ser implementado quando chegarmos ao limite. Quando chegarmos ao limite e a tentar emitir títulos do Tesouro, e a Fed for o único comprador, e os preços dos títulos estiverem em baixa e as taxas de juro em alta, isso será muito perigoso.”
Isso será o apocalipse económico da América, na verdade.
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