Ascendo pelas marés e elevo-me através
dos ventos marítimos, na senda do teu clarão.
Guia-me essa luz fera, de estrela cratera
penetrando pela escuridão.

Persigo o cometa que me leve a Julieta!
Com asas de cera procuro o teu calor d’Inverno,
o teu corpo ferido com o lado escondido
pela macrofísica do inferno.

E por mais alto que me leve o sobressalto
da noite aérea, permanecerás assim distante:
não chega o meu voar para te alcançar,
derradeiro amor errante.

É cruel e é clara, a distância que nos separa;
inúmera quando por maldição amanhece o dia.
Deixas-me por inteiro, aqui no candeeiro,
sem luz, nem voz, nem autonomia.