A representante Maria Salazar admitiu que o seu projecto de amnistia em grande escala, “Dignidad” , tem como principal objectivo “ajudar as grandes empresas a terem mão-de-obra barata”.
A deputada republicana da Florida está a promover claramente e sem rodeios o seu projecto-lei como uma solução para a escassez de mão-de-obra, afirmando numa conferência de imprensa na quarta-feira em Washington, D.C.:
“Quando me dizem que estou a tentar ajudar as grandes empresas a terem mão-de-obra barata, respondo: não se trata apenas de grandes empresas; não se trata apenas de agricultura, construção civil, hotelaria, saúde ou indústria — é mais do que isso”.
O projecto-lei concederia amnistia a milhões de imigrantes ilegais e impediria as deportações.
Salazar sugeriu que a amnistia Dignidad reduziria os custos do trabalho ao diminuir os salários, argumentando:
“Os americanos querem preços acessíveis e querem frutas e legumes a preços acessíveis”.
Regularizar milhões de imigrantes ilegais e dar-lhes o direito de trabalhar teria provavelmente um impacto brutal nas oportunidades de emprego e nos salários dos americanos mais jovens e menos qualificados, numa altura em que objectivos como a compra de habitação já estão cada vez mais fora do campo das suas possibilidades. Mas é como Salazar diz: o importante não é contribuir para a prosperidade da população nativa. O que importa é dar às grandes empresas mão-de-obra barata.
Salazar aproveitou também para namorar Trump, que se tem mostrado favorável à regularização dos imigrantes ilegais que trabalham na agricultura.
“O presidente é um tipo muito inteligente. Vem da área da hotelaria e da construção civil. É preciso dizer-lhe que os imigrantes são necessários nestes cinco sectores: construção civil, hotelaria, agricultura, saúde e indústria.”
Em quase todos os sectores da economia americana, portanto.
A amnistia de Salazar prejudicaria drasticamente a promessa de “deportações em massa” feita por Donald J. Trump na sua campanha de 2024, colocando os interesses dos imigrantes ilegais e das grandes empresas à frente dos trabalhadores americanos. De referir que a conferência de imprensa de quarta-feira foi organizada por uma subsidiária da American Business Immigration Coalition (ABIC), cuja directora executiva, Rebecca Shi, é uma imigrante chinesa. Shi, cuja mãe esteve sujeita a uma ordem de deportação durante 19 anos, afirmou abertamente na conferência de imprensa:
“As permissões de trabalho para imigrantes de longa duração reduzem os custos”.
Reduzem os custos para as grandes corporações, sim. E apenas.
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