Como o ContraCultura já documentou, o regime Trump elaborou uma lista de “bons e maus” aliados da NATO, com base na disponibilidade que demonstraram para apoiar a guerra contra o Irão. Neste contexto, O Reino Unido e a Espanha, que estão nesta lista como vilões, estão já a ser visados com possíveis retaliações por parte da Casa Branca.
Um e-mail do Pentágono que caiu no domínio público sugere que a administração Trump pode rever o seu apoio às “possessões imperiais” europeias, incluindo as Ilhas Malvinas, pertencentes ao Reino Unido, em resposta à recusa dos governos europeus em apoiar as operações dos EUA contra o Irão. Outras medidas em consideração incluem impedir que pessoas de nações particularmente “difíceis” ocupem cargos de alto nível na NATO e “suspender” a Espanha do âmbito da aliança atlântica. O documento ainda não foi seriamente discutido a alto nível, embora se entenda que o presidente norte-americano deseje aumentar a pressão sobre os aliados.
Vários governos europeus, incluindo o Reino Unido, a Alemanha, a Espanha e Itália, negaram aos EUA a utilização do seu espaço aéreo e bases nos seus territórios para apoiar as operações militares contra o Irão, desde o lançamento da Operação Epstein Fury, no final de Fevereiro. Isto levou o presidente Donald J. Trump a questionar o valor da aliança da NATO na perspectiva dos EUA, com o e-mail obtido pela Reuters a queixar-se de que o “ABO” — pacote de direitos de acesso, base e sobrevoo — deveria ser “apenas o mínimo absoluto para a NATO”.
O governo britânico reiterou a soberania do Reino Unido sobre as Ilhas Malvinas, um conjunto de ilhas do Atlântico Sul também reivindicadas pela Argentina, em resposta à fuga de informação, com um porta-voz do primeiro-ministro Keir Starmer a declarar:
“As Ilhas Malvinas já votaram esmagadoramente a favor de permanecerem um território ultramarino. Sempre defendemos o direito à autodeterminação. O Primeiro-Ministro deixou repetidamente claro que não se deixará pressionar. Defenderá sempre firmemente os interesses nacionais do Reino Unido, e as Ilhas Malvinas não são diferentes… A soberania pertence ao Reino Unido e a autodeterminação é fundamental.”
Não é claro como é que os EUA poderiam impor algumas das punições mais severas propostas no e-mail, como expulsar a Espanha da NATO. A reafirmação da soberania britânica indica um potencial para mais atritos entre a administração Trump e o executivo de Starmer, no momento da visita de Estado do Rei Carlos III aos EUA. Tanto mais que a posição de Starmer sobre o Território Britânico do Oceano Índico (BIOT) é muito diferente da sua posição sobre as Ilhas Malvinas, com o primeiro-ministro britânico a tentar activamente ceder o território às Maurícias, aliadas da China, e Trump a tentar contrariar essa decisão.
Em 2013, os habitantes das Ilhas Malvinas votaram a favor de permanecerem como Território Ultramarino Britânico, com 99,8% dos votos para manter os laços com o Reino Unido. Oficialmente, os EUA são neutros em relação às reivindicações britânicas e argentinas sobre as ilhas, embora tenham prestado apoio aos britânicos — ainda que a contragosto — quando a Argentina tentou tomá-las à força na década de 1980.
Isso não impede porém o mais destacado apparatchik do Regime Epstein na América do Sul, Javier Milei, de cumprir o seu papel de agitador:
LAS MALVINAS FUERON, SON Y SIEMPRE SERÁN ARGENTINAS.
VLLC! https://t.co/frox4fn03r— Javier Milei (@JMilei) April 24, 2026
Por seu lado, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, afirmou não estar preocupado com as notícias que revelam discussões no Pentágono sobre uma eventual expulsão do seu país da NATO, afirmando na cimeira da União Europeia, no Chipre:
“Não trabalhamos com base em e-mails. Trabalhamos com documentos oficiais e posições oficiais tomadas, neste caso, pelo governo dos Estados Unidos.”
Um responsável da NATO disse à BBC na sexta-feira que o tratado fundador da aliança “não prevê qualquer disposição para a suspensão da adesão à NATO ou expulsão”.
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