Ignorando completa e flagrantemente a afirmação de Donald Trump de que Israel estava “proibido” de atacar o Líbano, e apesar de um acordo de cessar-fogo de três semanas, Telavive intensificou os ataques aéreos no país vizinho, visando alegadamente posições do Hezbollah.
Israel lançou uma onda de ataques aéreos contra as infraestruturas do Hezbollah no Vale do Beqaa e nas regiões do sul do Líbano, marcando os primeiros ataques no Beqaa desde o início do cessar-fogo, há três semanas. As Forças de Defesa de Israel (IDF) afirmaram que a ofensiva é uma resposta a alegados ataques com drones do Hezbollah, que fizeram uma vítima mortal entre as tropas israelitas.
A acção decorre no meio de repetidas violações por parte de Telavive do frágil cessar-fogo, originalmente acordado a 16 de Abril e posteriormente prorrogado. As autoridades israelitas justificaram os ataques contínuos como “acções defensivas” contra as infra-estruturas da milícia islâmica, enquanto o Hezbollah e o Governo libanês — que não inclui o Hezbollah — acusam as forças sionistas de minar qualquer hipótese de desanuviamento.
O conflito já causou milhares de mortes e deslocações generalizadas por todo o Líbano. Nos últimos dias, houve trocas de tiros contínuas, incluindo intercepções de drones e ataques com rockets, apesar da pausa nominal nos combates.
Os analistas alertam que os ataques mais profundos em território libanês correm o risco de colapsar completamente o cessar-fogo e desencadear uma escalada regional mais ampla. Israel já declarou que deseja tomar uma parte significativa do sul do Líbano, deslocando potencialmente cerca de um milhão de pessoas, muitas delas cristãs, que vivem na região há mais de mil anos.
O presidente libanês Joseph Aoun afirmou a este propósito:
“Até quando o povo do sul continuará a pagar o preço pelas guerras dos outros na nossa terra? Se a guerra fosse pelo Líbano, nós apoiá-la-íamos – mas quando o seu propósito é servir os interesses dos outros, rejeito a guerra por completo.”
A escalada corre o risco de arrastar o Líbano ainda mais para o conflito entre Israel, os EUA, o Irão e os seus aliados. É de salientar que o cessar-fogo no Líbano fazia parte das exigências do Irão para um cessar-fogo no Golfo, e o seu colapso poderá reacender o conflito de forma mais ampla. No início deste mês, o presidente Donald J. Trump publicou no Truth Social:
“Israel não vai mais bombardear o Líbano. Estão PROIBIDOS de o fazer pelos EUA. Já chega!!!”
O problema é que é Telavive que manda em Washington e não Washington que manda em Telavive. E, como já aconteceu anteriormente, sempre que Donald Trump tenta mostrar que tem algum poder sobre Benjamin Netanyahu, é rapidamente humilhado pela ousadia.
Nem há, nestes dias que correm insanos, afirmação do infeliz presidente norte-americano que não seja contrariada pelos factos, breves momentos depois.
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