As autoridades norte-americanas estão a elaborar o que descrevem de forma algo provocatória como uma lista de “bons e maus” (“nice & naughty”), que classifica os aliados da NATO com base no seu apoio à guerra do regime Epstein contra o Irão.

Uma recente notícia descreve a proposta, desenvolvida antes da visita do secretário-geral da NATO, Mark Rutte, a Washington este mês, como uma divisão dos estados-membros em níveis de lealdade, ao mesmo tempo que define as consequências para aqueles que se recusaram a participar em operações militares contra o Irão, de acordo com diplomatas europeus e um oficial de defesa norte-americano familiarizado com as discussões.

Não é claro quais os países que se enquadram em cada categoria ou se Rutte está ciente da iniciativa. Mas os romenos e os polacos podem acabar por ser alguns dos maiores beneficiários, uma vez que ambos continuam nas boas graças do presidente norte-americano e “receberiam de braços abertos mais tropas americanas”.

As designações fazem eco de declarações anteriores do chefe do Pentágono, Pete Hegseth, que disse que “os aliados exemplares que se mobilizarem… receberão o nosso favor especial”, enquanto aqueles que não o fizerem “enfrentarão consequências”.

Uma porta-voz da Casa Branca afirmou que os países que albergam tropas norte-americanas “não estiveram presentes para nós” e alertou – com base em declarações anteriores de Trump – que “os Estados Unidos vão lembrar-se”.

 

 

Não deve ser surpresa que a Espanha, a França e o Reino Unido estejam na categoria dos “maus” depois de rejeitarem ou atrasarem a sua resposta aos pedidos de apoio militar dos americanos e fecharem o espaço aéreo e as bases onde os EUA operam há muito tempo.

Em contraste, a Polónia e a Roménia beneficiarão da boa vontade de Washington, após apoiarem as operações dos EUA e acolherem forças americanas, com Varsóvia a cobrir grande parte do custo dos destacamentos de tropas e Bucareste a expandir o acesso às bases. A Bulgária também tem sido vista como amigável, e, na verdade, o “flanco oriental” da NATO continua a ser indispensável, enquanto Washington ainda tenta gerir e interferir na guerra entre a Rússia e a Ucrânia, com resultados que têm sido, em geral, nulos.

Os Estados bálticos são também tratados como “aliados modelo” devido aos gastos de defesa consistentemente elevados, alinhados com as metas dos EUA. Washington pretende agora redirecionar os destacamentos de tropas, os exercícios conjuntos e as vendas de armas para estes Estados mais simpáticos com as aventuras e desventuras do Regime Epstein.

Mas quanto ao lado da “punição” – também após o agravamento das relações com a Dinamarca devido à questão da Gronelândia – é ainda uma incógnita o que o governo dos EUA poderá fazer.