Para espanto generalizado, dado o carácter corporativo e mafioso do estabelecimento britânico, o inquérito oficial sobre a COVID-19 no Reino Unido revelou que as políticas de vacinação obrigatória foram impulsionadas por factores políticos, e não por provas médicas.

O inquérito, que ainda assim considera o processo de vacinação “uma história de sucesso”, relatou que as políticas de vacinação obrigatória do país foram “políticas e não baseadas em recomendações clínicas”, exacerbando a desconfiança num sistema de saúde que quase entrou em colapso durante a pandemia.

O relatório do inquérito alerta que a reconstrução da confiança entre as instituições públicas e os cidadãos será crucial antes de qualquer futura pandemia, criticando ainda o sistema por compensar inadequadamente as pessoas prejudicadas pelas vacinas, recomendando indemnizações mais elevadas e reformas.

As conclusões fazem parte de uma investigação mais vasta sobre a resposta do Reino Unido à pandemia, que já tinha alertado que o Serviço Nacional de Saúde (NHS) esteve perto de entrar em colapso. Os especialistas envolvidos na investigação realçam que as lições da pandemia devem conduzir a uma preparação mais robusta e a estratégias de comunicação mais claras. O governo britânico tornou obrigatória a vacinação dos profissionais de saúde e exigiu passaportes de vacinação para a entrada em determinados locais e viagens internacionais.

A Presidente da Comissão de Inquérito, Baronesa Heather Hallett, afirmou sobre as conclusões do seu relatório:

“Embora a maioria das pessoas tenha aceite a oferta de vacinação, quando esta foi feita, houve uma menor adesão nas comunidades de zonas mais carenciadas e em algumas comunidades de minorias étnicas. Para muitos, as preocupações centravam-se na segurança das vacinas e nos possíveis efeitos secundários.” 

O leitor atento reparou por certo no spin politicamente correcto deste comentário.

A confirmação de que o governo britânico deu prioridade a considerações políticas em detrimento da ciência, ao impor medidas como confinamentos longos e draconianos e a vacinação obrigatória em certos sectores da sociedade, corroeu ainda mais a confiança pública nas instituições públicas e no sistema nacional de saúde.

Em relação às indemnizações para as pessoas lesadas por vacinas, a Baronesa Hallett, apesar de continuar a achar que as vacinas mRNA foram e são eficazes contra a Covid-19, criticou a decisão do governo de restringir os pagamentos de indemnizações, relativamente baixos, às vítimas consideradas com pelo menos 60% de incapacidade e recomendou alterações, uma vez que o status quo deixa “sem nada aquelas pessoas com lesões significativas que afectam a sua vida, mas que não atingem o limite de 60%”.

É mais que certo que este relatório do governo trabalhista é crítico das medidas tomadas pelo governo britânico durante a pandemia porque durante a pandemia era o Partido Conservador que estava no poder. Mas, ainda assim, não deixa de cair como uma bomba na putrefacto pântano do meio político britânico.

E Boris Jonhson merece completamente a farpa.

Como o ContraCultura noticiou em 2023, o governo de Boris foi informado de que morreriam mais crianças por suicídio do que por Covid-19, se a decisão de fechar as escolas fosse tomada. Ainda assim, as escolas foram fechadas durante mais tempo do que qualquer outro país na Europa.

Os infames ‘Lockdown Files‘, que rebentaram em Março de 2023, revelaram que as autoridades britânicas fizeram recurso constante, durante a pandemia, ao autoritarismo mais espúrio, perseguindo preferencialmente as suas ambições pessoais e políticas em detrimento de valores éticos e do bem estar do público e mostrando um chocante desdém pelos cidadãos.

Em Maio de 2024, a AstraZeneca anunciou a retirada da sua vacina, outrora classificada por Boris Johnson como um “triunfo da ciência britânica”.

Enquanto obrigavam os cidadãos britânicos a confinamentos sucessivos e sufocantes, os membros do governo de Johnson organizavam e frequentavam farras bem regadas, sem qualquer preocupação com a pandemia.

Poucas vezes na história do Reino Unido, tão poucos enganaram tantos.