Quando a imagem de um soldado israelita a esmagar o rosto de Cristo num crucifixo começou a circular na web, milhares de utilizadores afirmaram de pronto que se tratava de uma fabricação, de propaganda grosseira, de um artefacto de inteligência artificial.
Mas afinal, não. Afinal a imagem é bem real.
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, confirmou na segunda-feira, no X que a imagem publicada a 19 de Abril é autêntica.
A foto mostra um soldado a usar uma marreta para golpear a cabeça de uma estátua derrubada e invertida de Cristo crucificado, numa aldeia cristã libanesa perto da fronteira com Israel.
Telavive afirmou que considera o incidente com “grande gravidade”, insistindo, risivelmente, que o comportamento contradiz os seus “valores e padrões”.
As autoridades declararam que o caso está sob investigação e que serão tomadas as medidas disciplinares adequadas, indicando ainda que podem auxiliar na reparação ou restauro da estátua danificada.
A imagem disseminou-se rapidamente nas redes sociais, gerando condenação e indignação, sobretudo entre os cristãos.
The IDF has confirmed this is real.
Which commentators will reliably lecture us about Judeo-Christian values on Monday? https://t.co/7yOEFac5gy— Candace Owens (@RealCandaceO) April 20, 2026
O incidente ocorre numa altura em que Israel lançou operações militares devastadoras no sul do Líbano, destruindo por completo localidades inteiras até ao rio Litani, alegando que precisa do território como zona tampão para evitar ataques do Hezbollah.
O incidente aumentou as tensões entre Israel e os cristãos, tanto na Terra Santa como em todo o mundo, e ocorre após uma série de outras controvérsias, incluindo a proibição pelas autoridades israelitas do acesso do Patriarca Latino católico romano à Igreja do Santo Sepulcro no Domingo de Ramos, no início deste mês, em Jerusalém.
O Líbano foi maioritariamente cristão até ao final do século XX e ainda possui uma das maiores populações cristãs do Médio Oriente, representando cerca de 25% da população total. O país é governado por um Pacto Nacional sectário, que estipula que o presidente deve ser um católico maronita, o primeiro-ministro um muçulmano sunita e o presidente do parlamento um muçulmano xiita.
Mais que mil palavras?
Certa vez interrogado sobre o que pensava de Jesus Cristo, Ben Shapiro, uma das mais influentes figuras mediáticas do sionismo norte-americano, afirmou:
“Era um judeu que tentou liderar uma revolta contra os romanos e foi morto por isso, tal como muitos outros judeus da época que foram crucificados por tentarem revoltas contra Roma.”
O Nazareno não tentou liderar revolta nenhuma contra Roma, mas sim contra o estabelecimento fariseu de Jerusalém, como qualquer pessoa que tenha lido os evangelhos sabe muito bem. E o desdém manifesto nas palavras de Shapiro acompanha bem esta eloquente, embora dramática imagem, que é também deveras representativa da “aceitação” que os cristãos recebem por parte dos judeus no estado de Israel e do que os sionistas pensam realmente sobre a cristandade e sobre Jesus Cristo.
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