
Depois da alegria que teve com a derrota de Orbán na Hungria, Bruxelas acaba de ter um desgosto com Rumen Radev, que ganhou as eleições legislativas na Bulgária por larga margem e é conhecido pela sua oposição ao financiamento da Ucrânia e por resistir à imigração descontrolada.
Quando a Comissão Europeia pensava (talvez de forma equívoca) ter alcançado total domínio ideológico sobre os estados membros com a derrota eleitoral de Viktor Orbán, a Bulgária acaba de se inclinar para o nacionalismo populista, pró-Rússia, com a vitória esmagadora do ex-Presidente Rumen Radev.
Os resultados da eleição búlgara, com quase todos os votos apurados, mostram a coligação Bulgária Progressista (PB), liderada pelo ex-presidente Rumen Radev, com 44,69% dos votos, seguida pelo PP-DB com 14,55% e pelo conservador GERB-SDS com 12,66%, que caiu quase 15% em relação às últimas eleições.
Zoltán Koskovics, analista geopolítico do Centro para os Direitos Fundamentais, sediado em Budapeste, escreveu no X:
“Muitos ‘Bem, que merda’ em Bruxelas esta manhã. No final do dia, todo aquele esforço, toda aquela propaganda negra, as operações secretas e as fugas de informação estratégicas foram em vão. Radev, em muitos aspectos, pode ser pior do que Orbán para eles. E pode certamente adiar a guerra deles até às eleições francesas. Espero que ele compreenda que esta é a tarefa número um.”
A lot of “Well, fuck!”s in Brussels this morning….
Turns out all that effort, all that black propaganda, the covert operations and the strategic leaks were for nothing.
Radev, in many ways, could be worse than Orbán, for them. And he can certainly delay their war till the…— Koskovics Zoltán (@KoskovicsZ) April 20, 2026
Esta foi a oitava eleição parlamentar da Bulgária em cinco anos. A eleição antecipada ocorreu depois de o governo de Rosen Zhelazkov ter cedido à pressão de protestos sociais massivos no final de 2025 e se ter demitido.
Diz-se que Radev se opõe à imigração em massa, às sanções contra a Rússia e ao financiamento da guerra na Ucrânia. Antigo piloto de caças e comandante-chefe da Força Aérea búlgara, tem-se manifestado sobre a necessidade de uma defesa europeia mais robusta e planeia reforçar o sector das munições e explosivos do país nesse sentido.
Jan Nowinowski, analista do Centro de Estudos Orientais, analisa assim o quadro ideológico do partido de Radev:
“O Partido Progressista da Bulgária é uma formação de centro-esquerda. Mas este esquerdismo expressa-se sobretudo em promessas sociais; o partido é bastante tradicionalista na sua visão do mundo”.
O analista disse à Newsweek que
“as promessas de combater a corrupção são essenciais para a sua mensagem; os seus slogans, por outro lado, são muito genéricos, expressos numa linguagem populista”.
Apesar de ter tido maioria absoluta, Radev parece inclinado a formar um governo de coligação, já que prometeu acabar com o “modelo oligárquico”, reformar profundamente o sistema judicial e aprovar leis anti-corrupção fortes, e algumas dessas propostas (especialmente as que tocam a Constituição ou o estatuto dos juízes) exigem 2/3 dos votos no parlamento, pelo que precisará de somar mais 25 a 30 deputados ao seu mandato.
Até à data, o Partido Progressista da Bulgária não faz parte de nenhum grupo no Parlamento Europeu. A coligação governamental que for concretizada poderá ter influência no grupo parlamentar da UE a que o partido se irá juntar.
Em Janeiro, a Bulgária aderiu oficialmente à zona euro, iniciando a eliminação gradual do lev búlgaro, o que vai dificultar, de qualquer forma, a dissidência de Radev em relação a Bruxelas.
Para já, prometeu estabilidade e “trabalhar muito seriamente” para evitar as crises contínuas que têm afectado a vida política e económica da Bulgária, afirmando:
“Estamos preparados para várias opções para garantir que a Bulgária tem um governo estável”.
Após as eleições parlamentares da Hungria, na semana passada, o primeiro-ministro eleito, Péter Magyar, indicou que o seu país irá também definir um calendário para a transição para o euro, após uma análise minuciosa da economia. O florim húngaro tem conhecido uma tendência constante de valorização no período que antecedeu as eleições e teve uma subida ainda maior após a eleição de Magyar. A Polónia também sofreu pressão para aderir ao euro; no entanto, existe também uma forte oposição interna a esta mudança.
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