Rumen Radev e Vladimir Putin em 2018, quando Radev era Presidente da Bulgária

 

Depois da alegria que teve com a derrota de Orbán na Hungria, Bruxelas acaba de ter um desgosto com Rumen Radev, que ganhou as eleições legislativas na Bulgária por larga margem e é conhecido pela sua oposição ao financiamento da Ucrânia e por resistir à imigração descontrolada.

 

Quando a Comissão Europeia pensava (talvez de forma equívoca) ter alcançado total domínio ideológico sobre os estados membros com a derrota eleitoral de Viktor Orbán, a Bulgária acaba de se inclinar para o nacionalismo populista, pró-Rússia, com a vitória esmagadora do ex-Presidente Rumen Radev.

Os resultados da eleição búlgara, com quase todos os votos apurados, mostram a coligação Bulgária Progressista (PB), liderada pelo ex-presidente Rumen Radev, com 44,69% dos votos, seguida pelo PP-DB com 14,55% e pelo conservador GERB-SDS com 12,66%, que caiu quase 15% em relação às últimas eleições.

Zoltán Koskovics, analista geopolítico do Centro para os Direitos Fundamentais, sediado em Budapeste, escreveu no X:

“Muitos ‘Bem, que merda’ em Bruxelas esta manhã. No final do dia, todo aquele esforço, toda aquela propaganda negra, as operações secretas e as fugas de informação estratégicas foram em vão. Radev, em muitos aspectos, pode ser pior do que Orbán para eles. E pode certamente adiar a guerra deles até às eleições francesas. Espero que ele compreenda que esta é a tarefa número um.”

 

 

Esta foi a oitava eleição parlamentar da Bulgária em cinco anos. A eleição antecipada ocorreu depois de o governo de Rosen Zhelazkov ter cedido à pressão de protestos sociais massivos no final de 2025 e se ter demitido.

Diz-se que Radev se opõe à imigração em massa, às sanções contra a Rússia e ao financiamento da guerra na Ucrânia. Antigo piloto de caças e comandante-chefe da Força Aérea búlgara, tem-se manifestado sobre a necessidade de uma defesa europeia mais robusta e planeia reforçar o sector das munições e explosivos do país nesse sentido.

Jan Nowinowski, analista do Centro de Estudos Orientais, analisa assim o quadro ideológico do partido de Radev:

“O Partido Progressista da Bulgária é uma formação de centro-esquerda. Mas este esquerdismo expressa-se sobretudo em promessas sociais; o partido é bastante tradicionalista na sua visão do mundo”.

O analista disse à Newsweek que

“as promessas de combater a corrupção são essenciais para a sua mensagem; os seus slogans, por outro lado, são muito genéricos, expressos numa linguagem populista”.

Apesar de ter tido maioria absoluta, Radev parece inclinado a formar um governo de coligação, já que prometeu acabar com o “modelo oligárquico”, reformar profundamente o sistema judicial e aprovar leis anti-corrupção fortes, e algumas dessas propostas (especialmente as que tocam a Constituição ou o estatuto dos juízes) exigem 2/3 dos votos no parlamento, pelo que precisará de somar mais 25 a 30 deputados ao seu mandato.

Até à data, o Partido Progressista da Bulgária não faz parte de nenhum grupo no Parlamento Europeu. A coligação governamental que for concretizada poderá ter influência no grupo parlamentar da UE a que o partido se irá juntar.

Em Janeiro, a Bulgária aderiu oficialmente à zona euro, iniciando a eliminação gradual do lev búlgaro, o que vai dificultar, de qualquer forma, a dissidência de Radev em relação a Bruxelas.

Para já, prometeu estabilidade e “trabalhar muito seriamente” para evitar as crises contínuas que têm afectado a vida política e económica da Bulgária, afirmando:

“Estamos preparados para várias opções para garantir que a Bulgária tem um governo estável”.

Após as eleições parlamentares da Hungria, na semana passada, o primeiro-ministro eleito, Péter Magyar, indicou que o seu país irá também definir um calendário para a transição para o euro, após uma análise minuciosa da economia. O florim húngaro tem conhecido uma tendência constante de valorização no período que antecedeu as eleições e teve uma subida ainda maior após a eleição de Magyar. A Polónia também sofreu pressão para aderir ao euro; no entanto, existe também uma forte oposição interna a esta mudança.