O embaixador Francisco Henriques da Silva escreveu um artigo para o ContraCultura sobre as eleições na Hungria bem mais elevado do que este – e que por isso recomendo – mas a verdade é que há algumas considerações que sobre Péter Magyar devo também aqui deixar gravadas, por se tratar de uma figura algo enigmática, que vai subir ao poder de uma nação que até agora tinha sido um abençoado polo de dissidência, face à tirania da Bruxelas.
Neste vídeo, o futuro primeiro-ministro húngaro está a ser entrevistado pela estação de televisão pública húngara, M1, que funcionava em favor do aparelho governamental de Viktor Orbán, e aproveita para informar a entrevistadora que, quando chegar ao poder, vai suspender imediatamente os serviços noticiosos até que a estação volte a ser “objectiva, imparcial e de serviço público”, comparando o trabalho dos actuais jornalistas à propaganda de Goebbels ou da Coreia do Norte.
This is one for the ages. pic.twitter.com/2QEogv8NHT
— Laura Ingraham (@IngrahamAngle) April 16, 2026
Como já tantas vezes aqui escrevi, não nutro simpatia por políticos que aspiram a césares, sejam eles globalistas ou populistas, e fechar a imprensa de que não se gosta é sempre um acto eticamente complicado, em democracia, mesmo considerando a imprensa bandida que temos hoje no Ocidente.
Por outro lado, percebe-se que Magyar procure substituir o aparelho de propaganda de Orbán, pelo seu próprio aparelho de propaganda, dado que se trata de um organismo público e considerando as regras do jogo na Hungria. Afinal, ele próprio tinha sido banido por esta estação de televisão.
E não deixa de ser interessante que o homem não tenha problema nenhum em assumir publicamente essa cirurgia.
O que deveras me preocupa aqui, é que Magyar decaia rapidamente para o centrismo totalitário que reina na Europa e – com a enorme votação que teve e que lhe permite até alterações à constituição do país – instaure uma ditadura globalista cuja praxis seja depois seguida pelos seus congéneres europeus (que de qualquer forma já têm por diversas vezes ensaiado métodos despóticos com a imprensa de que não gostam, principalmente na Alemanha).
Até agora, as suas declarações não vão bem nesse sentido. Parece ser um feroz defensor das fronteiras da Hungria, um firme adversário da imigração descontrolada e, de todo em todo, um nativista.
Putain de respect absolu au génie hongrois !
Orbán ne s’est pas couché. Il n’a pas perdu.
Il a feinté comme un putain de loup affamé. Défaite calculée, maître coup de Sun Tzu version Budapest.Il laisse Péter Magyar prendre les rênes… et bam, le poulain balance direct la ligne… pic.twitter.com/vzbNpfjqyZ
— Tony Truant (@TonyTruant01) April 16, 2026
Parece também não estar muito interessado em hostilizar a Rússia nem em amar cegamente o regime Zelensky e eu diria que, à primeira impressão, não me convence como um político com queda para ideologias woke ou um entusiasta da doutrinação LGBT.
‘We’ll aim for cheapest and safest options’ – Magyar says Hungary won’t ‘detach’ from Russian oil supply
“It is in Hungary’s interest to diversify energy supply, build cross-border capacity and secure international agreements… so we can supply our population and companies,”… pic.twitter.com/IR21qPcLZO
— Viory Video (@vioryvideo) April 13, 2026
Fun Fact
Hungary’s NEW leader Péter Magyar is anti-WOKE, loves alcohol 🍺 and THIS:
We do not support Ukraine’s accelerated EU accession. pic.twitter.com/NksPVmtzaD
— Russian Market (@runews) April 12, 2026
Mas partilha com Bruxelas o histerismo climático e, pelos vistos, a tendência para o autoritarismo elitista. Às vezes dá-me a sensação que é mais um progressista do que um conservador e assusta-me o facto de Macron gostar tanto dele (como também Merz, e Starmer). Mais a mais, precisa dos 30 biliões de euros que a Comissão Europeia congelou como medida de repressão sobre a dissidência de Viktor Orbán.
E isso preocupa-me. Porque admiro os húngaros e porque a Hungria é um país chave para o futuro da Europa, em termos ideológicos e civilizacionais.
Muito se joga agora, no caminho que Magyar seguir.
Peter Magyar either played Hungary.
Or he played the globalists.
Let’s wait and see. 😎— Martin Sellner (@MartinSellner_) April 16, 2026
Paulo Hasse Paixão
Publisher . ContraCultura
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