Em mais um exercício transformista sobre a realidade, o presidente norte-americano Donald J. Trump afirmou na sexta-feira que o Estreito de Ormuz teria sido reaberto e que Israel estava “proibido” de bombardear o Líbano, onde foi declarado um cessar-fogo pelos EUA.

 

Insistindo também, pela enésima vez, numa “grande vitória” no Médio Oriente, Trump afirmou que o Irão se tinha comprometido a reabrir “totalmente” o Estreito de Ormuz após um cessar-fogo entre Israel e o Líbano.

Mas a verdade é que neste momento não há quaisquer sinais da reabertura do Estreito, que no domingo estava completamente bloqueado.

 

 

E no sábado, as autoridades iranianas afirmaram a este propósito:

“Trump não cumpriu as suas obrigações, pelo que o Estreito de Ormuz está novamente fechado, e o consentimento do Irão é necessário para a passagem.”

 

 

Entretanto, e aparentemente, os navios chineses continuam a operar normalmente com o apoio da sua marinha de guerra, garantindo o fluxo ininterrupto de abastecimentos para o continente.

 

 

Quanto ao cessar-fogo no Líbano, Trump insistiu que a reabertura do Estreito não está ligada ao cessar-fogo, anunciando na sua plataforma Truth Social:

“Israel não vai mais bombardear o Líbano. Estão PROIBIDOS de o fazer pelos EUA. Já chega!!! Obrigado!

E mais tarde, afirmou:

Este acordo não está ligado, de forma alguma, ao Líbano, mas vamos TORNAR O LÍBANO GRANDE NOVAMENTE!” 

Mas até os servos da Casa Branca que trabalham na Fox News já afirmaram o contrário: foi o Irão que impôs o cessar-fogo como premissa para uma eventual abertura do Estreito.

 

 

A situação no Médio Oriente continua assim instável, com alegações de que o cessar-fogo no Líbano já está a ser violado e líderes internacionais do Reino Unido e de França a planear uma missão multinacional para garantir a passagem dos seus navios pelo Estreito. Há relatos de que as negociações dos líderes europeus com as autoridades iranianas excluem os Estados Unidos de um eventual acordo, pelo que se justifica a reacção de Trump a estas iniciativas diplomáticas:

“Eu DISSE-LHES PARA FICAREM LONGE, A MENOS QUE QUEIRAM APENAS CARREGAR OS SEUS NAVIOS COM PETRÓLEO. [A NATO foi] inútil quando necessária, um Tigre de Papel.”

Tudo o que Trump diz deve ser entendido na sua antítese, porque parece que os “aliados” europeus é que querem os EUA longe do acordo que procuram desesperadamente firmar com Teerão.

E seja como for, será que ainda alguém dá crédito a qualquer declaração que este homem faça?