Em mais um exercício transformista sobre a realidade, o presidente norte-americano Donald J. Trump afirmou na sexta-feira que o Estreito de Ormuz teria sido reaberto e que Israel estava “proibido” de bombardear o Líbano, onde foi declarado um cessar-fogo pelos EUA.
Insistindo também, pela enésima vez, numa “grande vitória” no Médio Oriente, Trump afirmou que o Irão se tinha comprometido a reabrir “totalmente” o Estreito de Ormuz após um cessar-fogo entre Israel e o Líbano.
Mas a verdade é que neste momento não há quaisquer sinais da reabertura do Estreito, que no domingo estava completamente bloqueado.
🇮🇷🇺🇸🛢️ On Sunday, not a single tanker crossed the Strait of Hormuz!
-> Expect the oil price to jump up … unless Trump tweets some peace deal of course pic.twitter.com/xD2maeCc7o
— Lord Bebo (@MyLordBebo) April 19, 2026
🚨CRAZY
TRUMP: “The Strait of Hormuz is open and safe, thanks to the powerful and mighty US Navy.”
***Marine Traffic Radio
IRAN TO VESSELS TRYING TO ENTER THE STRAIT: “We don’t open the Strait because of some tweets by an idiot.”
IRAN is on 🔥🔥 pic.twitter.com/s3zkUCk63F
— A K Mandhan (@A_K_Mandhan) April 19, 2026
E no sábado, as autoridades iranianas afirmaram a este propósito:
“Trump não cumpriu as suas obrigações, pelo que o Estreito de Ormuz está novamente fechado, e o consentimento do Irão é necessário para a passagem.”
🇮🇷🇺🇸 BREAKING: “Trump failed to fulfill his obligations, so the Strait of Hormuz is closed again, and Iran’s consent is required for passage” – Central Command of Iran
“The Iranian Armed Forces have restored military control over the Strait of Hormuz” — Mehr
Buckle up for oil… pic.twitter.com/o55S78Pco7
— Lord Bebo (@MyLordBebo) April 18, 2026
IRGC:
“You are ordered to go back to port IMMEDIATELY!”
Iran continues to control the Strait of Hormuz.
Trump failed. pic.twitter.com/9CNpqC3ss8
— Ethan Levins 🇺🇸 (@EthanLevins2) April 18, 2026
Entretanto, e aparentemente, os navios chineses continuam a operar normalmente com o apoio da sua marinha de guerra, garantindo o fluxo ininterrupto de abastecimentos para o continente.
While the blockade remains in place in the Strait of Hormuz, Chinese oil tankers continue operating normally with the support of China’s naval fleet, ensuring uninterrupted supply flows to the mainland.
The U.S. Navy, for its part, limits itself to offering a salute. pic.twitter.com/XHpqrQ0TdF
— China pulse 🇨🇳 (@Eng_china5) April 19, 2026
Quanto ao cessar-fogo no Líbano, Trump insistiu que a reabertura do Estreito não está ligada ao cessar-fogo, anunciando na sua plataforma Truth Social:
“Israel não vai mais bombardear o Líbano. Estão PROIBIDOS de o fazer pelos EUA. Já chega!!! Obrigado!
E mais tarde, afirmou:
Este acordo não está ligado, de forma alguma, ao Líbano, mas vamos TORNAR O LÍBANO GRANDE NOVAMENTE!”
Mas até os servos da Casa Branca que trabalham na Fox News já afirmaram o contrário: foi o Irão que impôs o cessar-fogo como premissa para uma eventual abertura do Estreito.
Fox News correspondent Matt Finn confirms a brilliant strategic victory for Tehran. He reveals the Trump administration and Israel were forced to accept a ceasefire in Lebanon because Iran demanded it as a strict condition to reopen the Strait of Hormuz. Total dominance. pic.twitter.com/nKvQ1ZdbeV
— Furkan Gözükara (@FurkanGozukara) April 17, 2026
A situação no Médio Oriente continua assim instável, com alegações de que o cessar-fogo no Líbano já está a ser violado e líderes internacionais do Reino Unido e de França a planear uma missão multinacional para garantir a passagem dos seus navios pelo Estreito. Há relatos de que as negociações dos líderes europeus com as autoridades iranianas excluem os Estados Unidos de um eventual acordo, pelo que se justifica a reacção de Trump a estas iniciativas diplomáticas:
“Eu DISSE-LHES PARA FICAREM LONGE, A MENOS QUE QUEIRAM APENAS CARREGAR OS SEUS NAVIOS COM PETRÓLEO. [A NATO foi] inútil quando necessária, um Tigre de Papel.”
Tudo o que Trump diz deve ser entendido na sua antítese, porque parece que os “aliados” europeus é que querem os EUA longe do acordo que procuram desesperadamente firmar com Teerão.
E seja como for, será que ainda alguém dá crédito a qualquer declaração que este homem faça?
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