Em Outubro de 2021, o CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, revelou que o seu império estava oficialmente a renomear-se para “Meta”, como parte de uma ampla estratégia da empresa para investir em tecnologias de realidade virtual.
A mudança de rumo em direcção ao ‘Metaverso’, que foi vendida como visionária, teve direito à costumeira propaganda da imprensa corporativa e ao hype com que Silicon Valley geralmente injecta as suas desventuras luciferinas. E mesmo quando o projecto começou a derrapar, a The Economist, sempre servil para com os poderes instituídos e os transhumanistas das grandes corporações tecnológicas, fazia questão de negar as evidências.
Mas a tentativa de alienar a população global, enfiando-a num pesadelo virtual pixelizado, tem sido um verdadeiro desastre, dos ambientes online de baixa resolução, repletos de crianças aos berros, do Horizon Worlds até às intermináveis rondas de despedimentos e prejuízos exorbitantes.
Deus é grande. E insomníaco.
No total, a empresa perdeu mais de 70 biliões de dólares desde o início de 2021 com a sua enorme aposta a longo prazo na realidade virtual, uma quantia impressionante que deixou os investidores inquietos e desapontados, uma vez que Zuckerberg não conseguiu convencer o público das virtudes dos espaços virtuais, alegadamente aditivos, nos quais insistia que passaríamos a maior parte do nosso tempo.
Agora, como relata a Bloomberg, os executivos da empresa estão a considerar cortes orçamentais gigantescos, de até 30%, para as equipas responsáveis pelo produto Meta Horizon Worlds e pelo capacete de realidade virtual Quest; mais um prego no caixão da obsessão de Zuckerberg, que tem sido uma grande pedra no sapato dos investidores há anos. Os despedimentos podem começar já em Janeiro, mas as decisões finais ainda não estão tomadas.
De facto, após a reportagem da Bloomberg, as acções da Meta subiram mais de 4% na quinta-feira, evidenciando que os accionistas estão de tal forma descontentes com os esforços de Zuckerberg para concretizar o Metaverso, que consideram os despedimentos e o downsizing como uma boa notícia.
Os cortes, que terão surgido da constatação de que o mercado da realidade virtual simplesmente não arrancou como esperado, fazem parte de um esforço mais vasto para conter radicalmente os orçamentos em todas as áreas, segundo fontes internas da Bloomberg — e, ao que tudo indica, as mudanças podem afectar duramente a divisão Reality Labs da empresa.
Craig Huber, analista da Huber Research Partners, disse à Reuters a este propósito:
“Uma jogada inteligente, embora tardia. Esta parece ser uma mudança drástica para alinhar os custos com uma perspectiva de receitas que certamente não é tão promissora como a administração imaginava há anos atrás.”
Além disso, a Meta e Zuckerberg encontraram agora a sua próxima obsessão: a inteligência artificial. A empresa comprometeu-se a investir a quantia astronómica de 72 biliões de dólares em IA este ano — aproximadamente o mesmo valor que perdeu com o Metaverso, por coincidência – mas também aqui terá que competir com concorrentes que já têm um avanço considerável em notoriedade e quotas de mercado, como a Anthropic (Claude), a Open Ai (ChatGPT), a Google (Gemini) e o Grok de Elon Musk.
Aqui chegados, há que constatar a evidência de que Zuckerberg não é propriamente um visionário. As empresas e marcas do seu grupo que são de facto bem sucedidas foram roubadas ou compradas (roubou a ideia do Facebook, comprou o Instagram e o WhatsApp) A única ideia original que teve foi o Metaverso. E deu no que deu.
Seja como for, a notícia de que a Meta está a reconhecer que a visão extraordinária de Zuckerberg não era tão extraordinária como isso, será não só um alívio para os investidores, que há muito acusam o Metaverso de ser uma distração extremamente dispendiosa e um desperdício de recursos, como para toda a gente com um neurónio a funcionar: a ideia era distópica como o diabo.
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