A Google está a gerar nova controvérsia depois de ter começado a testar uma funcionalidade que reescreve os títulos dos artigos da imprensa sem pedir permissão ou sequer notificar os editores. O teste amplia as ferramentas anteriores de inteligência artificial, como o AI Overviews, que condensa artigos em resumos curtos.
Os líderes dos media manifestaram indignação pela completa falta de comunicação ou aprovação, com um executivo a considerar a acção “mais um abuso de poder da Google, que se apropria indevidamente do conteúdo sem permissão”. Os profissionais consideram os títulos uma parte fundamental do “julgamento editorial” e essenciais para a integridade jornalística. Alterá-los sem aviso prévio pode criar problemas graves, incluindo a perda da confiança do leitor no caso das novas versões se revelarem imprecisas ou enganadoras.
Manifestando preocupação com o facto de o Google estar a alterar excessivamente o trabalho original, Marc McCollum, da Raptive, uma empresa que trabalha com milhares de editores, questionou até onde pode ir esta prática:
“Será que também vão testar a alteração do lead que aparece no Google? Será que considerariam imagens que não vieram do editor original?”
McCollum sugeriu que, se a Google ampliar o programa, deve fornecer aos editores dados claros sobre as alterações feitas, as variações testadas e os resultados de desempenho.
“Se querem realmente servir o utilizador, devem oferecer alguma transparência ao editor para que ele também possa melhorar.”
Como se já não fosse suficiente a distorção a que a imprensa corporativa submete a realidade, a Google está agora a acrescentar mais uma camada de alienação no fórum público.
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