A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, anunciou a suspensão da renovação automática de um antigo acordo de defesa com Israel, citando a necessidade de estabilizar o Médio Oriente e garantir a segurança dos soldados italianos da UNIFIL (Força Interina das Nações Unidas no Líbano). O anúncio surge após a continuidade da acção militar de Israel no Líbano, mesmo após o cessar-fogo no Irão, e alegações de que tropas israelitas abriram fogo contra as tropas italianas que actuam como forças de manutenção da paz da ONU no país.

As autoridades sionistas minimizaram a importância do acordo, descrevendo-o como um memorando de entendimento sem substância. Mas a suspensão do acordo, que data de 2003, representa uma grande mudança na política italiana em relação a Israel e surge após repetidas críticas de Meloni e do seu governo. Os reparos anteriores incluíram um incidente em que tropas israelitas atacaram uma igreja católica em Gaza, matando três pessoas, e um episódio mais recente em que o Patriarca Católico Latino, Cardeal Pierbattista Pizzaballa, foi impedido de entrar na Igreja do Santo Sepulcro no Domingo de Ramos.

No anúncio da suspensão do acordo, Meloni afirmou:

“À luz da complexa realidade que estamos a viver, o governo decidiu suspender a renovação automática do acordo de defesa com Israel.” 

Meloni enfatizou a importância da reabertura do Estreito de Ormuz para o fornecimento de bens essenciais, incluindo combustível e fertilizantes fundamentais para o sector agrícola italiano. O seu Ministro dos Negócios Estrangeiros, Antonio Tajani, tinha condenado anteriormente os ataques israelitas contra as tropas da UNIFIL, incluindo soldados italianos, e convocado o embaixador de Israel para prestar esclarecimentos. A suspensão assinala uma alteração significativa na relação de Itália com Israel e acontece após uma década de apoio ao país. Reflecte também uma tendência europeia mais ampla de afastamento do apoio a Israel no Médio Oriente. A Itália foi um dos países europeus a impedir o Regime Epstein de utilizar bases aéreas para realizar ataques contra o Irão.

 

Trump critica Meloni, e qualifica a NATO de “tigre de papel”.

Coincidentalmente ou não, no mesmo dia e poucas horas depois das declarações de Meloni, o presidente Trump manifestou desapontamento com a líder italiana, e com a NATO, tecendo duras críticas à primeira-ministra, acusando-a de falta de coragem e de não apoiar os esforços dos EUA na NATO e contra as ambições nucleares do Irão.

Trump expressou a sua desilusão numa entrevista exclusiva ao jornal italiano Corriere Della Sera. Afirmando que Meloni não tem apoiado as iniciativas dos EUA no seio da NATO, prosseguiu descrevendo a aliança atlântica como um “tigre de papel” e sugerindo que a postura de Meloni poderia colocar a Itália em perigo. Referiu ainda que os dois não têm conversado recentemente, acrescentando:

“Estou chocado com ela. Pensei que ela tinha coragem, estava enganado… É muito diferente do que eu pensava. Ela acha que os Estados Unidos deviam fazer o trabalho por ela… Ela é que é inaceitável, porque não se importa se o Irão tem uma arma nuclear e rebentaria com a Itália em dois minutos se tivesse oportunidade.” 

Os comentários de Trump destacam uma crescente divergência entre a Casa Branca e o governo italiano , que pode afetcar as relações entre os EUA e a Itália e a dinâmica da NATO, especialmente no que diz respeito às estratégias de defesa colectiva.

De qualquer forma, o momento em que estas críticas foram proferidas pelo presidente norte-americano, logo a seguir a Meloni ter suspendido o acordo de defesa de Israel, têm levado alguns analistas a concluir que a teoria de que Donald Trump serve fundamentalmente os interesses de Telavive voltou a ser reforçada.

Não é por acaso que Tucker Carlson tem sugerido por diversas vezes que o inquilino da Casa Branca não é mais que “um escravo” dos sionistas.