A administração Trump está a lançar uma nova ferramenta para combater a censura global. Administrado pelo Departamento de Estado dos EUA, o Freedom.gov é uma aplicação desenvolvida para fornecer aos utilizadores de todo o mundo o acesso a conteúdos censurados por regimes totalitários, como acontece no Reino Unido e na União Europeia. A plataforma estará disponível para dispositivos iOS e Android nas próximas semanas.
No comunicado de lançamento da plataforma, lemos:
“O Freedom.gov é o mais recente de uma longa série de esforços do Departamento de Estado para proteger e promover as liberdades fundamentais, tanto online como offline. O projecto terá um alcance global, mas será distintamente americano na sua missão: comemorar o nosso compromisso com a liberdade de expressão à medida que nos aproximamos do nosso 250º aniversário”.
Jeremy Tedesco, consultor sénior da Alliance Defending Freedom (ADF), elogiou a iniciativa, comparando-a com esforços históricos como a Rádio Europa Livre durante a Guerra Fria, declarando:
“Se os burocratas europeus não querem que veja, isso diz tudo. Mas mesmo que o seu governo tema a liberdade, o nosso não.”
Os críticos das leis europeias sobre a liberdade de expressão, como a Lei dos Serviços Digitais (DSA) na UE e a Lei de Segurança Online no Reino Unido, defendem que estas regulamentações são cada vez mais draconianas, visando o chamado “discurso de ódio” ou “desinformação”.
Também surgiram preocupações sobre o impacto das leis da UE nos direitos de expressão dos americanos. Um relatório da Câmara dos Representantes intitulado “A Ameaça da Censura Estrangeira” alertou que as regulamentações europeias estão a pressionar as empresas tecnológicas americanas a alterar as regras globais de moderação de conteúdos, silenciando potencialmente os cidadãos dos Estados Unidos. O Presidente Trump criticou a UE por impor pesadas multas às empresas tecnológicas americanas por não censurarem o suficiente.
A iniciativa é bem-vinda, claro. Mas há que seguir o seu desenvolvimento, já que qualquer plataforma deste género, conduzida por um departamento do governo federal americano, pode muito bem transformar-se num instrumento de propaganda (como aconteceu precisamente com a Rádio Europa Livre, que foi instrumentalizada pela CIA), em vez de um promotor da liberdade de expressão.
Será também pertinente observar até que ponto o Freedom.org estará aberto a vozes que criticam o sionismo internacional e o regime Nethanyahu, bem como a perniciosa influência que exerce na administração americana.
Aparentemente, a plataforma terá uma versão em português e será útil para aceder a meios de comunicação social censurados por Bruxelas como a RT, por exemplo.
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